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Saramago

04.11.09- Quando eu pensei em fazer uma leitura comparativa entre livros de  Saramago & Lobo Antunes, a minha primeira idéia foi de usar Meu nome é legião como contraleitura de CAIM até por causa do seu título bíblico, mesmo que o romance de Lobo Antunes focalizasse a violência urbana dos nossos dias, centrando-se num grupo muito jovem de delinqüentes. Todavia, eu não resisti à beleza do título O ARQUIPÉLAGO DA INSÓNIA e até que não errei muito na troca, uma vez que se pode afirmar que esse livro (publicado em Portugal em 2008) é extremamente “bíblico”. Acredito que Lobo Antunes  atingiu, aqui, a primordialidade. Embora se possa (e se deva) fazer uma leitura histórica, de um meio rural português em meados do século passado, há um sopro de intemporalidade na descrição das relações, dos hábitos, da paisagem, que inscreve o texto numa ancestralidade bíblica, com o patriarcalismo triunfante: temos o Avô, o Pai, a Mãe, a Avõ, o Irmão, a Vila, a Herdade, enfim, tudo sendo construído e descontruído pela memória, naquela coisa louca loboantunisiana de fazer frases e falas voltarem a todo momento, mas tudo Único, primordial, ancestral no sentido mais visceral da palavra.

jose-saramago-rosto-viagem-elefante-436caim

  Saramago e os desígnios inescrutáveis do Senhor     

       O personagem-título de Caim só aparece na pág. 32, no terceiro capítulo. Antes, o mais recente romance de José Saramago narra com vivacidade ímpar a expulsão do paraíso, inclusive com uma interpolação especialmente saborosa ao relato bíblico, quando Eva pede, usando toda sua coqueteria de mulher, ao querubim que ficou de guarda no Éden alguns frutos para que ela e o marido se alimentem, e o anjo, seduzido por ela, desobedece ao senhor e ainda dá instruções de como eles se “virarem” pós-Queda: devem procurar agrupamentos humanos, integrar-se em alguma caravana: “Depois eva perguntou, Se já existiam outros seres humanos, para que foi então que nos criou o senhor, Já deveis saber que os desígnios do senhor são inescrutáveis, mas, se bem entendi, tratou-se de um experimento…”.

      Duas páginas após aparecer, Caim já matou Abel e  questiona o Senhor, que afirma que o “pôs à prova” não aceitando suas oferendas: “E tu quem és para pores à prova o que tu mesmo criaste, Sou dono e soberano de todas coisas, E de todos os seres, dirás; mas não de mim nem da minha liberdade, Liberdade para matar, Como tu foste livre para deixar que eu matasse a Abel quando estava na tua mão evitá-lo, bastaria que por um momento abandonasses a soberba da infalibilidade que partilhas com todos os outros deuses, bastaria que por um  momento fosses realmente misericordioso… tu como todos os outros, têm deveres para com aqueles a quem dizem ter criado…”

    Não se sabe bem por que (talvez outra experiência, outro desígnio inescrutável), Deus não castiga Caim, mas faz dele um errabundo, sem parada. Mais ainda: o responsável pelo crime primordial dos seres humanos entre si torna-se um Viajante do Tempo, o que permite ao engenho saramaguiano passar em revista os principais eventos dos primeiros livros bíblicos: o quase-sacrifício de Isaac, a torre de Babel, Sodoma e Gomorra, o bezerro de ouro, as filhas de Lot dormindo com o próprio pai, as batalhas sanguinárias de Josué, Satã atormentando Jô com a autorização de Yahweh… Tudo de forma muito bem contada, mas meio óbvia (é preciso reconhecer) porque servem para a argumentação teológica básica do romance: o Senhor é um deus psicótico, caprichoso, injusto, irracional, destruidor, imperialista: “Lúcifer sabia bem o que fazia quando se rebelou contra deus, há quem diga que o fez por inveja e não é certo, o que ele conhecia era a maligna natureza do sujeito”.

    Apesar do talento narrativo com que o autor de Ensaio sobre a cegueira revive essas passagens, há uma certa mão pesada em fazer com que elas levem a essa mesma conclusão deletéria sobre a divindade monoteísta que nos rege, repetidamente. Ou seja, os desígnios do Senhor são inescrutáveis, os de Saramago, transparentes demais.

      Em compensação, o clímax do livro desemboca numa surpreendente e inesperada versão da história do Dilúvio e da Arca de Noé, em que a rebeldia de Caim e o seu modo de expressá-la (o assassinato) serão levados ao extremo, como se as cobaias de um experimento forçassem o cientista louco a reconhecer seus erros.

      Embora seja o momento mais ousado de Caim, considero sua parte mais bem realizada os capítulos em que o herói chega à cidade governada por Lilith, a mulher devoradora de homens, a essência do domínio feminino negando o patriarcalismo fundamentalista de Yahweh e seus favoritos, e é escolhido como seu amante, mesmo que seu destino não seja fixar-se em lugar nenhum. Nesses capítulos que evocam o mundo de Lilith, Saramago mostra de forma cabal o seu poder de ressuscitar, sem detalhes cenográficos ou perfumarias, épocas antigas (poder de que tinha dado abundantes provas em Memorial do convento, O evangelho segundo Jesus Cristo e no seu lindo romance anterior, A viagem do elefante, sua maior realização nesta última década), através dos miúdos e humildes detalhes do cotidiano e das relações humanas básicas.

       Se os holofotes sobre Caim estão fixados no tom blasfematório e provocativo com que ele castiga o “manual de maus costumes” que é o Antigo Testamento (uma molecagem terrorista deliciosa, se lembrarmos que se trata de um sisudo senhor de 87 anos), se a humanidade que emerge do dilúvio é uma das suas páginas mais amargas e desiludidas, o caminho que leva Caim a Lilith e o “idílio”, por assim dizer, entre ambos, estão entre os momentos em que vemos por que Saramago é um dos escritores fundamentais do nosso tempo.

(resenha publicada em “A Tribuna” em 03.11.09) 

_________________________

 

25/07/2010

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“https://www.facebook.com/elianemarquespereira”"Eliane Marques”>”https://badge.facebook.com/badge/100001827014015.1491.237256791.png” style=”border: 0px;” /></a>”http://www.facebook.com=”font-family: &quot;=”Crie

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Artes

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== Carreira ==
=== No cinema, teatro e televisão ===
Ao mudar-se para [[Hollywood]], em [[1937]], inicialmente conseguiu o emprego de leitor de roteiros, no qual fazia resumos para facilitar o trabalho de produtores de cinema quando fossem selecionar um.<ref name=”guardian” /> Depois, ele passou a escrever [[argumento]]s de forma independente, ao lado de outro hóspede da pensão em que residia, Ben Roberts, e enviá-los para estúdios. Após não receber respostas em alguns argumentos, um, chamado ”Dangerous Holiday”, foi comprado pela [[Paramount]] por mil dólares, mas eles não foram os responsáveis pelo roteiro.<ref>{{Citar livro |nome=Sidney |sobrenome= Sheldon|título= O Outro Lado de Mim |idioma= português |edição= 4ª|local= |editora=[[Editora Record|Record]] |editor= |ano= 2005|páginas=372 |volumes= |página=102 – 105|capítulo= 10|volume= |id=ISBN 978-85-01-07343-3|notas= |acessodata= }}</ref> Logo depois, ele e Roberts venderam um outro argumento, ”South of Panama”, para a PRC, e escreveram seu roteiro; esse foi seu primeiro roteiro filmado.<ref name=”guardian” /> Ele então abandonou seu trabalho de leitor para dedicar-se aos roteiros. Ainda em parceria com Roberts, vendeu mais alguns para diferentes estúdios, até serem contratados como roteiristas fixos do [[Republic Pictures|Republic Studios]], responsável pela produção de [[filmes b]]. Seu contrato venceu depois de um ano, e não foi renovado.<ref>{{Citar livro |nome=Sidney |sobrenome= Sheldon|título= O Outro Lado de Mim |idioma= português |edição= 4ª|local= |editora=[[Editora Record|Record]] |editor= |ano= 2005|páginas=372 |volumes= |página=107 – 108|capítulo= 10|volume= |id=ISBN 978-85-01-07343-3|notas= |acessodata= }}</ref>

Com a entrada dos [[Estados Unidos]] na [[segunda guerra mundial]], ele se alistou no ”Army Air Corps”, onde foi treinado para ser piloto em [[Richfield (Utah)|Richfield]], [[Utah]].<ref name=”msnbc”>{{citar web|url=http://today.msnbc.msn.com/id/16896461/ns/today-books/|titulo=Best-selling author Sidney Sheldon dies at 89 |data=02-07-2007|publicado=MSNBC|lingua=inglês|acessodata=13-01-2010}}</ref> Mais tarde, foi impedido de servir por causa de sua [[hérnia de disco]]. Retornou à vida civil e foi convidado para atualizar o [[libreto]] do [[musical]] ”A Viúva Alegre”, de [[Franz Lehár]], para a [[Teatro Broadway|Broadway]]. O musical foi produzido em [[1943]], quando Sheldon tinha 26 anos, e considerado um sucesso.<ref name=”guardian” /><ref name=”nytimesreview”>{{citar web|url=http://www.nytimes.com/2006/01/01/books/review/01stern.html|titulo=Review: ‘The Other Side of Me,’ by Sidney Sheldon|data=01-01-2006|publicado=[[The New York Times]]|lingua=inglês|acessodata=13-01-2011}}</ref> Ao mesmo tempo em que reescrevia ”A Viúva Alegre”, ele trabalhou em dois outros espetáculos para a Broadway: ”Jackpot” e ”Dream with Music”.<ref name=”msnbc” /> Depois da estreia de ”Alice in Arms”, primeiro chamado ”Star in the Window”, ele retornou para Hollywood, onde escreveu o roteiro do filme ”[[The Bachelor and the Bobby-Soxer]]”, estrelado por [[Cary Grant]], para a [[RKO Pictures]], pelo qual ganhou o [[Academy Awards|Oscar]] de [[Oscar de melhor roteiro original|melhor roteiro original]] de [[1947]].<ref>{{citar web|url=http://veja.abril.com.br/070207/datas.shtml|titulo=Datas|publicado=[[Veja]]|lingua=português|acessodata=13-01-2011}}</ref> Logo depois, trabalhou na revisão e edição do roteiro de ”[[Desfile de Páscoa]]”, estrelado por [[Judy Garland]] e [[Fred Astaire]].<ref>{{citar web|url=http://www.tcm.com/thismonth/article.jsp?cid=1130&mainArticleId=147999|titulo=Easter Parade|ultimo=Miller|primeiro=Frank |publicado=TCM|lingua=inglês|acessodata=16-01-2011}}</ref>

Sheldon continuou trabalhando com filmes e, esporadicamente, escrevendo libretos para a Broadway, até ser chamado para ser [[Produtor cinematográfico|produtor]] da [[MGM]].<ref name=”usatoday”>{{citar web|url=http://www.usatoday.com/life/people/2007-01-30-sidney-sheldon-obit_x.htm|titulo=Author Sidney Sheldon dies|ultimo=Minzesheimer|primeiro=Bob |data=31-01-2007|publicado=[[USA Today]]|lingua=inglês|acessodata=16-01-2010}}</ref><ref>{{Citar livro |nome=Sidney |sobrenome= Sheldon|título= O Outro Lado de Mim |idioma= português |edição= 4ª|local= |editora=[[Editora Record|Record]] |editor= |ano= 2005|páginas=372 |volumes= |página=187 – 228|capítulo= 18 – 21|volume= |id=ISBN 978-85-01-07343-3|notas= |acessodata= }}</ref> Em [[1953]], ele dirigiu um filme pela primeira vez, ”[[Dream Wife]]”, estrelado por [[Cary Grant]] e [[Deborah Kerr]].<ref>{{citar web|url=http://www.tcm.com/thismonth/article.jsp?cid=76199&mainArticleId=31295|titulo=Dream Wife|ultimo=Landazuri |primeiro=Margarita |publicado=TCM|lingua=inglês|acessodata=16-01-2011}}</ref> Após receber resenhas iniciais negativas dos críticos, o estúdio optou por não fazer sua divulgação, o que fez com que Sheldon pedisse para ser liberado de seu contrato. Depois de deixar o MGM, ele teve dificuldades para encontrar trabalho, devido ao momento ruim que a indústria estava passando e o fato de seu último filme não ter sido bem sucedido.<ref>{{Citar livro |nome=Sidney |sobrenome= Sheldon|título= O Outro Lado de Mim |idioma= português |edição= 4ª|local= |editora=[[Editora Record|Record]] |editor= |ano= 2005|páginas=372 |volumes= |página=260 – 263|capítulo= 24 – 25|volume= |id=ISBN 978-85-01-07343-3|notas= |acessodata= }}</ref> Depois de algum tempo, ele foi chamado pela [[Paramount]] para escrever o roteiro de ”[[You're Never Too Young]]”, que recebeu boas críticas e teve boa bilheteria,<ref name=”usatoday” /> o que o trouxe de volta para o mercado.

Ele trabalhou em outros filmes, até que o roteiro de ”O Palhaço Que Não Ri”, um drama sobre a vida de [[Buster Keaton]] que foi co-escrito, co-produzido e dirigido por ele, foi duramente criticado e o estúdio não renovou seu contrato.<ref>{{Citar livro |nome=Sidney |sobrenome= Sheldon|título= O Outro Lado de Mim |idioma= português |edição= 4ª|local= |editora=[[Editora Record|Record]] |editor= |ano= 2005|páginas=372 |volumes= |página=277 – 286|capítulo= 26|volume= |id=ISBN 978-85-01-07343-3|notas= |acessodata= }}</ref> Ele então retornou para a Broadway, onde co-escreveu o roteiro do musical ”Redhead”, que ganhou o título de Melhor Musical de 1959 no [[Tony Awards]],<ref>{{citar web|url=http://www.tonyawards.com/en_US/news/photos/2006-05-14/200605141147710170487.html|titulo=Redhead (1959)|publicado=TonyAwards.com|lingua=inglês|acessodata=31-01-2011}}</ref> seguido por ”Roman Candle”. Após retornar ao cinema para algumas produções, Sheldon foi convidado para criar o ”The Patty Duke Show”, estrelado por [[Patty Duke]], um programa para [[televisão]]. Ele passou então a escrever roteiros para o programa, que foi ao ar entre [[1963]] e [[1966]].<ref name=”guardian” /> Enquanto ainda escrevia ”The Patty Duke Show”, ele criou ”[[I Dream of Jeannie|Jeannie é um Gênio]]”, ao qual também co-produziu; a série contava a história de um astronauta, interpretado por [[Larry Hagman]], que se perdia em um deserto e encontrava a garrafa de uma [[gênio|gênia]] de mais de 2.000 anos, vivida por [[Barbara Eden]].<ref name=”msnbc” /> ”Jeannie é um Gênio” foi exibida entre [[1965]] e [[1970]].<ref name=”guardian” /> As duas séries foram consideradas sucessos.<ref name=”guardian” /> No mesmo ano em que ”Jeannie é um Gênio” deixou de ser produzida, ele criou ”Nancy”, que foi cancelada no meio de sua primeira temporada, após 17 episódios, mesmo tendo uma audiência considerável.<ref name=”msnbc” /> Anos mais tarde, em [[1979]], estreou ”[[Hart to Hart|Casal 20]]”, também criada por ele, que durou até [[1984]].<ref name=”guardian” />

=== Nos livros ===
A estreia de Sidney como escritor de romances ocorreu em [[1970]], quando publicou seu livro ”[[The Naked Face|A Outra Face]]”.<ref name=”abc” /> Ele decidiu lançar o suspense como livro por que achou que era muito “psicologicamente variado” para cinema, TV ou palco; a história de um psicólogo que é acusado de assassinato foi vendida para a editora Morrow por mil dólares.<ref name=”nytimes” /> ”A Outra Face” foi nomeado “Melhor Livro de Estreia” nos Edgar Allan Poe Award de 1971.<ref name=”edgarsdatabase”>{{citar web|url=http://www.theedgars.com/edgarsDB/index.php|titulo=Edgars Database|publicado=TheEdgars.com|lingua=inglês|acessodata=02-02-2011}}</ref> Seu segundo livro foi ”[[The Other Side of Midnight|O Outro Lado da Meia-Noite]]”, lançado três anos depois do primeiro; ele alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos do ”[[The New York Times]]” e permaneceu nela por 53 semanas.<ref name=”nytimesreview” /> A partir de então ele passou a dedicar-se aos livros, lançando diversos outros bem sucedidos, como ”[[Rage of Angels|A Ira dos Anjos]]” e ”[[If Tomorrow Comes|Se Houver Amanhã]]”.

Apesar de ter sido bem sucedido em suas vendas, o autor nunca foi aprovado pela crítica, que publicava resenhas geralmente depreciativas.<ref name=”msnbc” /> Várias de suas obras foram adaptadas para séries ou filmes, muitas vezes tendo o autor como produtor.<ref name=”msnbc” />

leia  on  line


Sidney Sheldon tem uma forma única de criar um personagem marcante e nos transportar para dentro da história, e com este empolgante romance nos leva às aventuras de Tracy Whitney.
Tracy é uma jovem idealista, trabalha em um banco e está noiva do socialite Charles Stanhope III. Custa a crer na sorte que tem e está radiante de felicidade.
Mas o suicídio de sua mãe muda todo o seu destino: ao descobrir que a mãe se matou por não suportar perder todo o patrimônio que o marido lhes deixara para Joe Romano – integrante da máfia – Tracy resolve tirar satisfações com o mesmo, e se vê enredada numa armação criminosa que a leva a ser presa e condenada por roubo e tentativa de homicídio.
Na prisão ela tenta falar com o noivo, que a despreza e abandona sem nem tentar ouvi-la e entender o que aconteceu.
Na penitenciária ela se vê cercada das criminosas mais violentas que jamais imaginou existir e, ao ser estuprada e violentada por elas, perde o bebê que estava esperando, mas começa a enxergar sua nova realidade: o mundo que conhecia não existia mais, a mãe maravilhosa e carinhosa estava morta e o noivo perfeito não a queria mais, e se quisesse sobreviver para se vingar daqueles que a haviam colocado ali, teria que mostrar a todos quem ela era. Conseguiu impor sua posição dentro da cela e ganhou a amizade e o respeito da chefe de suas companheiras. A ajuda desta chefe, a negra Ernestine Littlechap, a protegeria também dos assédios da chefe de um grupo rival: Big Bertha, uma homossexual grandalhona e agressiva.
Seus dias na penitenciária são para ela um tempo de aprendizado para quando conseguir fugir e colocar em prática seus planos de vingança. A oportunidade de fuga surge quando ela trabalha como babá da filha do diretor do presídio, e consegue formular um plano para escapar no caminhão da lavanderia. A rotina da criança é de dormir após o almoço, e é neste horário que ela planeja escapar. mas no dia marcado há visitas na casa – o Governador e o Comitê de Reforma Penitenciária – e a mãe da menina muda os hábitos, mandando ela sair com a criança. Sem saber o que fazer, pede a alguém para olhar a criança e sai correndo, mas a menina chama a sua atenção ao ficar na borda de um lago artificial e cai nas águas profundas. Ela volta para salvar a criança e perde a chance de fugir. Mas em reconhecimentoà sua coragem e apego à criança, ela ganha o perdão e a liberdade.
A primeira providência de Tracy é se vingar das pessoas que armaram contra ela: Joe Romano, o chefão Anthony Orsatti, o advogado Perry Pope, o Juíz Henry Lawrence, e seu ex-noivo Charles Stanhope III.
Uma vez de volta ao mundo civilizado e tendo satisfeito seu desejo de vingança, ela tenta recomeçar sua vida e, inocentemente quer ter seu antigo emprego de volta. Não consegue, é claro, e não consegue outros porque sua ficha criminal a precede e ninguém quer se arriscar a lhe dar emprego. Alguém lhe indica uma pessoa, um dono de uma joalheria que ajuda ex-presidiárias e ela o procura, mas o que ele propõe é que ela se torne uma ladra profissional. ela recusa e volta a tentar um emprego honesto. Quando não tem mais saída nem recursos financeiros ela volta à joalheria e aceita o trabalho.
Daí por diante sua vida se transforma completamente. Tracy se torna expert em disfarces e passa a circular nos meios mais sofisticados, conhecendo as pessoas mais ricas e importantes de vários lugares do mundo. Se apresentando como nobre européia ou esposa de magnatas do petróleo, ou como viúva rica e desamparada e mil outros disfaeces engenhosos, ela consegue entrar em lugares fabulosos e cometer roubos fantásticos.
Nesse submundo do crime, Jeff Stevens é seu rival constante, e se torna uma disputa entre eles saber o que o outro planeja e chegar na dianteira, e após um confronto na tentativa de um grande roubo ao Museu do Prado, eles se descobrem apaixonados. Trabalham juntos em outro grande desafio e resolvem se assumir e mudar de vida.
Mas será que após todo esse tempoeles conseguem viver de outra maneira?
Tracy consegue se vingar das pessoas que a prejudicaram e mudaram o rumo da sua vida, mas o que ela tem agora nem de longe lembra o que seria sua vida antes da prisão. Ela vive fugindo e se escondendo, mas é mais conhecida mundialmente e bem sucedida financeiramente do que poderia um dia sequer imaginar.
Ela se impôs a condição de só aceitar um trabalho quando tivesse certeza de que a pessoa atingida fosse tão criminosa quanto ela e que isso não prejudicasse outras pessoas.
Para ela e Jeff o amanhã poderia trazer uma aventura irresistível, viagens para lugares exóticos, fortunas difíceis de calcular. Como abrir mão desta vida? Só o amanhã dirá.

Início

Sheldon nasceu Sidney Schechtel em ChicagoIllinois, filho de Ascher “Otto” Schechtel e Natalie Marcus, descendentes de judeus alemães e russos, respectivamente.[4] Tinha um irmão mais novo, chamado Richard.[5] Ele fez sua primeira venda aos 10 anos, participando de um concurso realizado por uma revista infantil chamada Wee wisdom, pelo valor de US$5.[6] Depois de se graduar na East High School de Denver, ele frequentou a Universidade Northwestern, mas não a concluiu.[7]

Durante a Grande Depressão, trabalhou em diversos empregos para ajudar no sustento da família, como vendedor de sapatoslocutor de rádio e entregador em uma drogaria.[5] Depois de ter vendido uma canção que havia composto para um líder de banda local, ele mudou-se para Nova York, onde tentou firmar-se como compositor. Quando surgiu uma oportunidade – um popular compositor da época se interessou por suas músicas e ofereceu-se para se reunir com ele no dia seguinte – Sheldon desistiu e voltou para Chicago, onde sua família ainda morava.[7]

[Carreira

[No cinema, teatro e televisão

Ao mudar-se para Hollywood, em 1937, inicialmente conseguiu o emprego de leitor de roteiros, no qual fazia resumos para facilitar o trabalho de produtores de cinema quando fossem selecionar um.[7] Depois, ele passou a escrever argumentos de forma independente, ao lado de outro hóspede da pensão em que residia, Ben Roberts, e enviá-los para estúdios. Após não receber respostas em alguns argumentos, um, chamado Dangerous Holiday, foi comprado pela Paramount por mil dólares, mas eles não foram os responsáveis pelo roteiro.[8] Logo depois, ele e Roberts venderam um outro argumento, South of Panama, para a PRC, e escreveram seu roteiro; esse foi seu primeiro roteiro filmado.[7] Ele então abandonou seu trabalho de leitor para dedicar-se aos roteiros. Ainda em parceria com Roberts, vendeu mais alguns para diferentes estúdios, até serem contratados como roteiristas fixos do Republic Studios, responsável pela produção de filmes b. Seu contrato venceu depois de um ano, e não foi renovado.[9]

Com a entrada dos Estados Unidos na segunda guerra mundial, ele se alistou no Army Air Corps, onde foi treinado para ser piloto em RichfieldUtah.[10] Mais tarde, foi impedido de servir por causa de sua hérnia de disco. Retornou à vida civil e foi convidado para atualizar o libreto do musical A Viúva Alegre, de Franz Lehár, para a Broadway. O musical foi produzido em 1943, quando Sheldon tinha 26 anos, e considerado um sucesso.[7][11] Ao mesmo tempo em que reescrevia A Viúva Alegre, ele trabalhou em dois outros espetáculos para a Broadway: Jackpot e Dream with Music.[10] Depois da estreia de Alice in Arms, primeiro chamado Star in the Window, ele retornou para Hollywood, onde escreveu o roteiro do filme The Bachelor and the Bobby-Soxer, estrelado por Cary Grant, para a RKO Pictures, pelo qual ganhou o Oscar de melhor roteiro original de 1947.[12] Logo depois, trabalhou na revisão e edição do roteiro de Desfile de Páscoa, estrelado por Judy Garland e Fred Astaire.[13]

Sheldon continuou trabalhando com filmes e, esporadicamente, escrevendo libretos para a Broadway, até ser chamado para ser produtor da MGM.[14][15] Em 1953, ele dirigiu um filme pela primeira vez, Dream Wife, estrelado por Cary Grant e Deborah Kerr.[16] Após receber resenhas iniciais negativas dos críticos, o estúdio optou por não fazer sua divulgação, o que fez com que Sheldon pedisse para ser liberado de seu contrato. Depois de deixar o MGM, ele teve dificuldades para encontrar trabalho, devido ao momento ruim que a indústria estava passando e o fato de seu último filme não ter sido bem sucedido.[17] Depois de algum tempo, ele foi chamado pela Paramount para escrever o roteiro de You’re Never Too Young, que recebeu boas críticas e teve boa bilheteria,[14] o que o trouxe de volta para o mercado.

Ele trabalhou em outros filmes, até que o roteiro de O Palhaço Que Não Ri, um drama sobre a vida de Buster Keaton que foi co-escrito, co-produzido e dirigido por ele, foi duramente criticado e o estúdio não renovou seu contrato.[18] Ele então retornou para a Broadway, onde co-escreveu o roteiro do musical Redhead, que ganhou o título de Melhor Musical de 1959 no Tony Awards,[19] seguido por Roman Candle. Após retornar ao cinema para algumas produções, Sheldon foi convidado para criar o The Patty Duke Show, estrelado por Patty Duke, um programa para televisão. Ele passou então a escrever roteiros para o programa, que foi ao ar entre 1963 e 1966.[7] Enquanto ainda escrevia The Patty Duke Show, ele criou Jeannie é um Gênio, ao qual também co-produziu; a série contava a história de um astronauta, interpretado por Larry Hagman, que se perdia em um deserto e encontrava a garrafa de uma gênia de mais de 2.000 anos, vivida por Barbara Eden.[10] Jeannie é um Gênio foi exibida entre1965 e 1970.[7] As duas séries foram consideradas sucessos.[7] No mesmo ano em que Jeannie é um Gênio deixou de ser produzida, ele criou Nancy, que foi cancelada no meio de sua primeira temporada, após 17 episódios, mesmo tendo uma audiência considerável.[10] Anos mais tarde, em 1979, estreou Casal 20, também criada por ele, que durou até 1984.[7]

[Nos livros

A estreia de Sidney como escritor de romances ocorreu em 1970, quando publicou seu livro A Outra Face.[4] Ele decidiu lançar o suspense como livro por que achou que era muito “psicologicamente variado” para cinema, TV ou palco; a história de um psicólogo que é acusado de assassinato foi vendida para a editora Morrow por mil dólares.[5] A Outra Face foi nomeado “Melhor Livro de Estreia” nos Edgar Allan Poe Award de 1971.[20] Seu segundo livro foi O Outro Lado da Meia-Noite, lançado três anos depois do primeiro; ele alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times e permaneceu nela por 53 semanas.[11] A partir de então ele passou a dedicar-se aos livros, lançando diversos outros bem sucedidos, como A Ira dos Anjos e Se Houver Amanhã.

Apesar de ter sido bem sucedido em suas vendas, o autor nunca foi aprovado pela crítica, que publicava resenhas geralmente depreciativas.[10] Várias de suas obras foram adaptadas para séries ou filmes, muitas vezes tendo o autor como produtor.[10]

[Estilo de escrita

Sheldon geralmente colocava mulheres como personagens principais de seus livros. Ele afirmou, em uma entrevista para a Associated Press em 1982, que gostava "de escrever sobre mulheres que são talentosas e capazes, mas o mais importante, mantêm sua feminilidade. As mulheres têm um poder tremendo - a sua feminilidade, porque os homens não podem fazer sem isso".[14] Muitos de seus personagens masculinos eram “malévolos” e “impiedosos”.[4][10] Os romances eram escritos com elevado grau de suspense e sensualidade,[10] e costumavam contar com elementos como famafortuna, intrigas, assassinatos, desaparecimentos e vinganças.[5] Ele comentou que tentava escrever seus livros “de uma maneira que os leitores não pudessem largá-lo. Construí-los de um jeito que o leitor termina um capítulo e tem que ler mais um”.[14] Sidney acreditava que não podia “enganar o leitor”, por isso, sempre que descrevia algum lugar visitado por seus personagens, havia estado nele.[10]

O autor tinha o costume de contar a história oralmente para que sua secretária a digitasse ou usar um gravador, completando em média 50 páginas por dia. No dia seguinte, ele fazia a revisão do que havia feito no dia anterior e repetia o processo até que o livro estivesse finalizado. Então ele fazia diversas revisões da obra, podendo passar até um ano até liberar para ser publicado.[10]

[Bibliografia

Obras publicadas
Ano Título original Título no Brasil Título em Portugal Notas
1970 The Naked Face A Outra Face A Face Nua
1973 The Other Side of Midnight O Outro Lado da Meia-Noite O Outro Lado da Meia Noite
1976 A Stranger in the Mirror Um Estranho no Espelho
1977 Bloodline A Herdeira Laços de Sangue
1980 Rage of Angels A Ira dos Anjos A Fúria dos Anjos
1982 Master of the Game O Reverso da Medalha O Preço do Poder ou O Jogo da Vida
1985 If Tomorrow Comes Se Houver Amanhã Se o Amanhã Chegar
1987 Windmills of the Gods Um Capricho dos Deuses O Capricho dos Deuses
1988 The Sands of Time As Areias do Tempo
1990 Memories of Midnight Lembranças da Meia-Noite Memórias da Meia-Noite Continuação de The Other Side of Midnight
1991 The Doomsday Conspiracy Juízo Final Conspiração: Dia do Juízo Final
1991 The Strangler O Estrangulador Infanto-juvenil
1992 The Stars Shine Down Escrito nas Estrelas O Brilho das Estrelas
1994 Nothing Lasts Forever Nada Dura para Sempre Nada é Eterno
1994 Corrida pela Herança Infanto-juvenil
1995 The Dictator O Ditador Infanto-juvenil
1995 Morning, Noon & Night Manhã, Tarde e Noite
1995 The Twelve Commandments Os Doze Mandamentos Infanto-juvenil
1995 O Fantasma da Meia-Noite O Fantasma da Meia Noite Infanto-juvenil
1997 The Best Laid Plans O Plano Perfeito
1998 Tell Me Your Dreams Conte-me Seus Sonhos A Mulher Dividida
2000 The Sky is Falling O Céu Está Caindo Quando o Céu Caiu A personagem central, Dana Evans, foi apresentada anteriormente no livro "O Plano Perfeito", como coadjuvante em trama paralela.
2000 The Chase A Perseguição Infanto-juvenil
2004 Are You Afraid of the Dark? Quem Tem Medo do Escuro?
2005 The Other Side of Me O Outro Lado de Mim Autobiografia
2009 Sidney Sheldon's Mistress of the Game A Senhora do Jogo Escrito por Tilly Bagshawe, com autorização da família. Continuação de Master of the Game.
2010 Sidney Sheldon's After the Darkness Depois da Escuridão Escrito por Tilly Bagshawe, com autorização da família.
2012 Sidney Sheldon's Angel of the Dark Escrito por Tilly Bagshawe, com autorização da família. Lançamento previsto para 3 de abril de 2012.[21]

[Vida pessoal

Sheldon foi casado por três vezes. Seu primeiro casamento, com Jane Kaufman, ocorreu em 1945 e os dois se separaram dois anos depois. Ele conheceu sua segunda esposa, Jorja Curtright, uma atriz e design de interiores, em 1950. Eles se casaram em 28 de março do ano seguinte e passaram a lua de mel na Europa; o casamento durou até a morte de Jorja, em 11 de maio de 1985, após um ataque cardíaco. Ele então casou-se com Alexandra Kostoff, uma publicitária e ex-atriz mirim, em 14 de outubro de 1989 e os dois viveram juntos até a morte dele, em 2007.[22]

Ele teve duas filhas com Jorja, Mary e Alexandra. Alexandra nasceu com espinha bífida e faleceu pouco tempo depois. Depois disso, os dois tentaram adotar um bebê, Elizabeth Aprille, mas uma semana antes de completarem seis meses com ela, a mãe biológica desistiu e a pegou de volta – o que era seu direito apenas até os seis meses. Mary tornou-se escritora e teve duas filhas, Lizy e Rebecca.[22]

Considerado um workaholic,[7] ele trabalhou em diversas áreas, mas afirmou que escrever livros era a sua favorita: “Eu amo escrever livros. Filmes são uma mídia colaborativa, mas quando você cria um livro, está fazendo sozinho. É uma liberdade que não existe em nenhuma outra mídia”.[14]

Sheldon sofreu de transtorno bipolar, chegando a tentar o suicídio aos 17 anos.[23] Ele faleceu em 30 de janeiro de 2007, aos 89 anos, devido a complicações causadas por uma pneumonia. Estava no Eisenhower Medical Center, em Rancho Mirage, nas proximidades de sua residência em Palm Springs, ao lado de sua esposa Alexandra e sua filha Mary.[3][10] Foi então cremado e suas cinzas enterradas no cemitério Westwood Village Memorial Park.[24]

Últimas Notícias

Sidney Sheldon após a escuridão por Tilly BagshaweSidney Sheldon após a escuridão
Disponível 25 de Maio!

Após o sucesso do New York Times best-seller Sidney Sheldon SENHORA DO JOGO , este conto arrebatador de amor e traição, vingança e redenção irá deixá-lo correr até ao fim, chocante triunfante.

O que acontece quando uma mulher que tem tudo perde tudo? E quando uma mulher que não tem nada percebe que ela não tem nada a perder?

 Leia mais sobre este livro irresistível

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SENHORA Sidney Sheldon DO JOGO por Tilly Bagshawe
Mestre do jogo por Sidney Sheldon

Você é um fã de Sheldon mestre do jogo ? Não perca a reedição do livro e sua continuação,SENHORA Sidney Sheldon DO JOGO .

Publishers Weekly raves: “ Gossip Girl atendeDynasty em Bagshawe obrigando sequela para o final de Sidney Sheldon de mestre do jogo … “

Sidney Sheldon

Conhecendo Sidney Sheldon

Um mestre contador de histórias, Sidney Sheldon recebeu elogios e reconhecimento internacional em todo o mundo. O vencedor do Oscar ®, um Tony ®, e um ® Edgar, Sheldon tem mais de 200 roteiros de televisão, vinte e cinco grandes filmes, seis peças de teatro da Broadway, dezoito romances (que venderam mais de 300 milhões de cópias) e um livro de memórias para a sua de crédito, classificando-o como um dos escritores mais prolíficos do mundo. Sidney Sheldon faleceu em 30 de janeiro de 2007. Para saber mais sobre toda a sua vida, fazer a varredura do Sidney Sheldon cronograma .


 Uma homenagem a Sidney Sheldon de sua filha, Mary Sheldon

 Artigo final Sidney Sheldon

 Guia de Sidney Sheldon para o sucesso da CNN.com

Livros

Na Imprensa

Prêmios recentes e Citiations

Sidney Sheldon foi concedido in memoriam como homenageado Círculo de Ouro da Academia Nacional de Televisão, Artes e Ciências (NATAS), Pacific Southwest capítulo. As honras de Ouro do Círculo aqueles com 50 anos de serviço à indústria da televisão.

O Sidney Sheldon Scholarship Award de Dramaturgia na Escola UCLA de Teatro, Cinema e TELEVS foi premiado. junho Award 2007

O Sidney Sheldon Prêmio Jovem Cineasta foi apresentado no Festival de Palm Springs Student Curta-Metragem.

Sidney Sheldon (1917-2007)


Sheldon nasceu em Chicago em 17 de fevereiro de 1917. Ele começou a escrever como um jovem e na idade de dez anos, ele fez sua primeira venda de um poema por US $ 10.Durante a Depressão, ele trabalhou em uma variedade de empregos e ao atender a Northwestern University, ele contribuiu peças curtas para grupos de teatro. Aos dezessete anos … Ver bio completo  »

Faleceu:

30 de janeiro , 2007 (Idade 89) em Rancho Mirage, Califórnia, EUA

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Filmografia

Ocultar  EsconderEscritor (54 títulos)

1995Nothing Lasts Forever (TV) (livro)

1994Hart to Hart: Crimes da Hart (TV) (criador)

1993Hart to Hart Returns (TV) (Criador caracteres)

1993Um Estranho no Espelho (TV) (romance)

1992As Areias do Tempo (TV) (romance)

1992Zvezda sherifa (romance)

1991I Dream of Jeannie Ainda (TV) (personagens)

1988Capricho dos Deuses (TV) (romance)

1986A Ira dos Anjos: A História Continua (TV) (personagens)

1986do Além da Imaginação (TV series)

Precisa Saber / Red Neve (1986) (conto / segmento “Need to Know”)

1986If Tomorrow Comes (TV mini-série) (romance)

1985Jeannie e hum Genio – 15 Anos Depois (TV) (personagens)

1984Rosto The Naked (romance)

1979-1984Casal 20 (série de TV)

Enquanto isso, na fazenda (1984) (criador)
Sempre, Elizabeth (1984) (criador)
Último Ir Larsen (1984) (criador)
Slam Dunk (1984) (criador)
O Tiro (1984) (criador)

1984Mestre do Jogo (TV mini-series)

1983Rage of Angels (TV) (romance)

1979A Herdeira (novela)

1971Nancy (TV series)

Um melhor amigo da menina (1971) (criador)

1965-1970Jeannie e hum Genio (série de TV)

Meu Mestre, o Rei Chile (1970) (criador)
Um bate Jeannie Four of a Kind (1970) (criador)
Hurricane Jeannie (1970) (criador)
Seu eternamente, Jeannie (1970) (criador)

1968Sombra na Terra (TV) (criador)

1963-1966The Patty Duke Show (TV series)

Fazer um irmão um Favor (1966) (criador / escrito por)
The Invisible Boy (1966) (criador)
Noiva por um Dia (1966) (criador)
Três gatinhos pequenos (1966) (criador)
Não Banco on It (1966) (criador)

1962A Mais Querida Mundo do (roteiro)

1958Colgate Theatre (TV series)

Aventuras de um Modelo (1958) (escrito por)

1956Pardners (roteiro)

1956Os pássaros e as abelhas (roteiro)

1955Fase 7 (TV series)

Tiger at Noon (1955) (história e teleplay)

1953Dream Wife (escritor)

1953continua a ser visto (roteiro)

1951Rich, jovem e bonita (roteiro)

1951Sem Perguntas (roteiro)

1951Três caras chamados Mike (roteiro)

1950Annie Get Your Gun (roteiro)

1949Os Barkleys da Broadway (sem créditos)

1948Desfile de Páscoa (roteiro)

1947O Solteirão Cobiçado (roteiro / história)

1942Fly-By-Night (história)

1941Herói Borrowed (história original)

1941Filhas de jogo (história)

1941do Sul do Panamá (história e roteiro)

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Vídeos Relacionados

Três caras chamados Mike - Uma aeromoça se envolve romanticamente com um piloto de avião, um professor universitário, e um empresário de sucesso, todos os quais são nomeados Mike.  Quando os três descobrir uns sobre os outros, ela tem que decidir qual deles ela mais ama. Jeannie e hum Genio :: - Um astronauta Estados Unidos acha a sua vida muito complicada quando ele tropeça em um frasco contendo um gênio feminino.

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Detalhes Pessoais

Outras obras:

Piloto não vendidos: Em 1968, ele produziu um piloto de seriado para vender NBC chamado “Walt Girls com Craig Stevens . como um executivo de publicidade de Nova York que está tentando levantar três meninas com idades entre 9-18 Ver mais  »


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1 Biografia Imprimir   | Entrevista 1   | 5 artigos   | Veja mais  »


Nome Alternativo:

Allan Devon  | Christopher Golato  | Mark Rowane

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Você Sabia?

Cultura inútil:

Amigo de Warren Cowan , que também é seu empresário. Veja mais  »


Signo:

Aquário

Message Boards

  1. (7,78) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Tycoon Rich (# 2.3)” (1966)
  2. (7,68) - “Jeannie e hum Genio: Como ser um gênio em 10 lições fáceis (# 2.8)” (1966)
  3. (7,66) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Grande Caruso (# 2.13)” (1966)
  4. (7,60) - “Jeannie e hum Genio: Russian Roulette (# 1.13)”(1965)
  5. (7,60) - “Jeannie e hum Genio: Há uma Jeannie extra na Casa (# 1.18)?” (1966)
  6. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: o vigarista segunda maior no Mundo (# 3.3)” (1967)
  7. (7,59) - “Jeannie Genio hum E: amanhã não é Another Day (# 4.3)” (1968)
  8. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie Breaks do Banco (# 2.15)” (1966)
  9. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: Como você bate Superman (# 2.12)” (1966)
  10. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre de olhos arregalados (# 2.5)” (1966)
  11. (7,58) - “If Tomorrow Comes” (1986)
  12. (7,56) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o solteirão convicto (# 2.30)” (1967)
  13. (7,56) - “Jeannie e hum Genio: This Is Murder (# 1.28)” (1966)
  14. (7,55) - “Jeannie e hum Genio: o astronauta rico do mundo (# 1.17)” (1966)
  15. (7,55) - “Jeannie e hum Genio: The Lady in the Bottle (# 1.1)”(1965)
  16. (7,53) - “Jeannie e hum Genio: A menina que nunca teve um aniversário: Part 1 (# 2.10)” (1966)
  17. (7,53) - “Jeannie e hum Genio: a maior invenção do mundo (# 2.17)” (1967)
  18. (7,52) - “Jeannie e hum Genio: O vendedor de carros usados (# 4.5)” (1968)
  19. (7,50) - “Jeannie e hum Genio: Qual casa da frente (# 1.14)?”(1965)
  20. (7,50) - “Jeannie e hum Genio” (1965)
    Próximas transmissões norte-americanas:
    Seg 09 de abril 8:30 AM WGNAMER
    Ter 10 de abril 8:30 AM WGNAMER
  21. (7,50) - “Jeannie e hum Genio: Fastest Gun no Oriente (# 2.7)”(1966)
  22. (7,49) - “Jeannie e hum Genio: A Secretaria não é um brinquedo (# 2.26)” (1967)
  23. (7,48) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Civil (# 2.21)”(1967)
  24. (7,48) - “Jeannie e hum Genio: There Goes the Melhor Genie I Ever Had (# 2.22)” (1967)
  25. (7,47) - “Jeannie e hum Genio: Feliz Aniversário (# 2.1)” (1966)
  26. (7,47) - “Jeannie e hum Genio: Meu ligado, Master (# 3.4)”(1967)
  27. (7,47) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Thief (# 1.27)”(1966)
  28. (7,46) - “Jeannie Genio hum E: There Goes the Bride (# 2.27)”(1967)
  29. (7,46) - “Jeannie e hum Genio: O Yacht Murder Case (# 1.6)”(1965)
  30. (7,46) - “Master of the Game” (1984)
  31. (7,45) - “Jeannie e hum Genio: Por favor, não alimente os Astronautas (# 3.20)” (1968)
  32. (7,44) - “Jeannie e hum Genio: Fly Me to the Moon (# 3.1)”(1967)
  33. (7,44) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie e os Pipchicks Selvagens (# 4.2)” (1968)
  34. (7,44) - “Jeannie e hum Genio: Você não pode me prender, eu não tenho carteira de motorista (# 2.19)” (1967)
  35. (7,43) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Rainmaker (# 2.4)” (1966)
  36. (7,43) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Spy (# 2.18)”(1967)
  37. (7,42) - “Jeannie e hum Genio: Get Me to Mecca on Time (# 1.16)” (1966)
  38. (7,42) - “Jeannie e hum Genio: Quem você está chamando um Gênio (# 3.8)?” (1967)
  39. (7,42) - “Jeannie e hum Genio: Assista ao passarinho (# 1.23)”(1966)
  40. (7,41) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Pirata (# 2.25)”(1967)
  41. (7,41) - “Jeannie e hum Genio: Conheça Mãe de meu Mestre (# 3.9)” (1967)
  42. (7,40) - Desfile de Páscoa (1948)
    Próximas transmissões norte-americanas:
    Dom 08 de abril 07:00 TCM
  43. (7,39) - “Jeannie e hum Genio: Sempre no domingo (# 2.2)”(1966)
  44. (7,39) - “Jeannie e hum Genio: Here Comes Bootsie Nightingale (# 3.10)” (1967)
  45. (7,39) - “Jeannie e hum Genio: Uma das nossas garrafas Is Missing (# 2.20)” (1967)
  46. (7,39) - “Jeannie e hum Genio: o maior artista do mundo (# 2.23)” (1967)
  47. (7,38) - “The Patty Duke Show” (1963)
  48. (7,38) - “Jeannie e hum Genio: Guest House Permanente (# 1.24)” (1966)
  49. (7,38) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Rembrandt Grande (# 1.26)” (1966)
  50. (7,37) - “Jeannie Genio hum E: Todo mundo é uma estrela de cinema (# 3.7)” (1967)
  51. (7,37) - “Jeannie e hum Genio: Meu mestre, o Mago (# 1.29)”(1966)
  52. (7,37) - “Jeannie e hum Genio: Onde Você Vai-Vai (# 1.12)?”(1965)
  53. (7,36) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ou o Tiger (# 3.2)”(1967)
  54. (7,35) - “Jeannie e hum Genio: Djinn and Water (# 1.10)” (1965)
  55. (7,35) - “Jeannie e hum Genio: GI Jeannie (# 1.5)” (1965)
  56. (7.33) - “Jeannie Genio hum E: Alguém aqui viu Jeannie (# 1.7)?” (1965)
  57. (7.33) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Autor (# 2.16)”(1966)
  58. (7.32) - “Jeannie e hum Genio: Quem precisa de um Jeannie Green-Eyed (# 2.9)?” (1966)
  59. (7.32) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ea Top Secret (# 4.9)”(1968)
  60. (7.32) - “Jeannie Genio hum E: Operação: primeiro casal na Lua (# 3.25)” (1968)
  61. (7.32) - “Jeannie e hum Genio: Que sorte você consegue (# 1.22)?” (1966)
  62. (7,31) - “Jeannie Genio hum E: Too Tonys Muitos (# 1.15)”(1965)
  63. (7,29) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ea Caper Casamento (# 1.4)” (1965)
  64. (7,28) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o fraco (# 3.5)”(1967)
  65. (7,27) - “Jeannie Genio hum E: Divórcio, Estilo Genie (# 3.22)”(1968)
  66. (7,27) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ea Caper Kidnap (# 1.21)” (1966)
  67. (7,26) - “Jeannie e hum Genio: Os Pássaros e abelhas Bit (# 2.29)” (1967)
  68. (7,26) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie eo Bank Robbery Grande (# 3.12)” (1967)
  69. (7,26) - “Jeannie e hum Genio: O Homem Mais Forte do Mundo (# 4.7)” (1968)
  70. (7,26) - “Jeannie e hum Genio: Você já teve um Gênio Hate You (# 3.24)?” (1968)
  71. (7,26) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie, meu Guru (# 4.12)”(1968)
  72. (7,23) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie, o Hippie Hop (# 3.6)”(1967)
  73. (7.22) - “Jeannie e hum Genio: Meu mestre, o doutor (# 1.20)”(1966)
  74. (7.22) - “Jeannie e hum Genio: O Partido Mod (# 2.31)” (1967)
  75. (7.21) - “Jeannie e hum Genio: O que há de novo, o cão Poodle (# 2.6)” (1966)
  76. (7.21) - “Jeannie e hum Genio: Bigger Than uma caixa de pão e melhor do que um gênio (# 1.25)” (1966)
  77. (7.21) - “Jeannie e hum Genio: UFOh Jeannie (# 4.1)” (1968)
  78. (7,20) - O Solteirão Cobiçado (1947)
  79. (7.17) - “Jeannie e hum Genio: My Hero (# 1.2)?” (1965)
  80. (7.16) - “Jeannie e hum Genio: A Volta ao Mundo em 80 Pisca (# 4.23)” (1969)
  81. (7.16) - “Jeannie e hum Genio: Nunca tente ser mais esperto que um Jeannie (# 1.19)” (1966)
  82. (7.16) - “Jeannie e hum Genio: A americanização da Jeannie (# 1.8)” (1965)
  83. (7.11) - “Jeannie e hum Genio: O dedo em movimento (# 1.9)”(1965)
  84. (7.11) - “Jeannie e hum Genio: Genie, Genie, quem tem o Gênio: Part 1 (# 3.16)” (1968)
  85. (7.11) - “Jeannie e hum Genio: Adivinhe o que aconteceu no caminho para a Lua (# 1.3)?” (1965)
  86. (7.10) - “do Além da Imaginação: Precisa Saber / Red Snow (# 1.21)” (1986)
  87. (7,06) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie Goes to Honolulu (# 3.14)” (1967)
  88. (7,04) - Fly-By-Night (1942)
  89. (7,01) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, Buddy Napoleão (# 2.28)” (1967)
  90. (7,01) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Ghostbreaker (# 3.21)” (1968)
  91. (7.00) - Annie Get Your Gun (1950)
  92. (7.00) - “Jeannie e hum Genio: O que aconteceu com bebê Custer (# 1.11)?” (1965)
  93. (6,95) - “Casal 20: Hit Jennifer Hart (# 1.1)” (1979)
  94. (6,90) - Os Barkleys da Broadway (1949)
  95. (6,86) - Nothing Lasts Forever (1995) (TV)
  96. (6,85) - “Jeannie e hum Genio: Meu Filho, o Gênio (# 3.13)”(1967)
  97. (6,59) - Sombra na Terra (1968) (TV)
  98. (6.55) - “Casal 20: Hart to Hart (# 1.0)” (1979)
  99. (6,50) - Sem Perguntas (1951)
  100. (6,48) - continua a ser visto (1953)
  101. (6,47) - Nancy Goes to Rio (1950)
  102. (6,43) - Você nunca é muito jovem (1955)
  103. (6,41) - “Casal 20″ (1979)
  104. (6,33) - Hart to Hart: Dois Harts em 3/4 Tempo (1995) (TV)
  105. (6,26) - só desta vez (1952)
  106. (6.24) - Hart to Hart: Home Is Where Is a Hart (1994) (TV)
  107. (6.23) - A Mais Querida do Mundo (1962)
    Próximas transmissões norte-americanas:
    Qua. 04 de abril 8:00 AM TCM
  108. (6,23) - Capricho dos Deuses (1988) (TV)
  109. (6,09) - Três caras chamados Mike (1951)
  110. (6,07) - Tudo em uma noite de trabalho (1961)
  111. (5,97) - Maravilhas in Destaque (1956)
  112. (5,94) - Pardners (1956)
  113. (5,93) - Hart to Hart: Till Death Do Us Hart (1996) (TV)
  114. (5,87) - Hart to Hart: Old Friends Never Die (1994) (TV)
  115. (5,85) - Rage of Angels (1983) (TV)
  116. (5,85) - Rage of Angels: The Story Continues (1986) (TV)
  117. (5,78) - Memórias da Meia-Noite (1991) (TV)
  118. (5,77) - Rich, jovem e bonita (1951)
  119. (5.74) - Dream Wife (1953)
  120. (5,72) - Hart to Hart Returns (1993) (TV)
  121. (5,66) - Hart to Hart: Hart em Alta Temporada (1996) (TV)
  122. (5.65) - Jeannie e hum Genio – 15 Anos Depois (1985) (TV)
  123. (5.64) - O Outro Lado da Meia-Noite (1977)
  124. (5,58) - O Palhaço Que Ri Nao (1957)
  125. (5.54) - As Areias do Tempo (1992) (TV)
  126. (5,50) - Os Pássaros e as Abelhas (1956)
  127. (5.44) - Hart to Hart: Crimes de Hart (1994) (TV)
  128. (5.19) - A Face Nua (1984)
  129. (5.14) - I Still Dream of Jeannie (1991) (TV)
  130. (4.40) - A Herdeira (1979)
  131. (4,38) - Um Estranho no Espelho (1993) (TV)
Produtor
  1. (7,91) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Tycoon Rich (# 2.3)” (1966)
  2. (7.83) - “Jeannie e hum Genio: Como ser um gênio em 10 lições fáceis (# 2.8)” (1966)
  3. (7,80) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Grande Caruso (# 2.13)” (1966)
  4. (7,74) - “Jeannie e hum Genio: Russian Roulette (# 1.13)”(1965)
  5. (7,74) - “Jeannie Genio hum E: amanhã não é Another Day (# 4.3)” (1968)
  6. (7,74) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie Breaks do Banco (# 2.15)” (1966)
  7. (7,74) - “Jeannie e hum Genio: Como você bate Superman (# 2.12)” (1966)
  8. (7,73) - “Jeannie e hum Genio: o vigarista segunda maior no Mundo (# 3.3)” (1967)
  9. (7,73) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre de olhos arregalados (# 2.5)” (1966)
  10. (7,69) - “Jeannie e hum Genio: o astronauta rico do mundo (# 1.17)” (1966)
  11. (7,68) - “Jeannie e hum Genio: A menina que nunca teve um aniversário: Part 1 (# 2.10)” (1966)
  12. (7,67) - “Jeannie e hum Genio: O vendedor de carros usados (# 4.5)” (1968)
  13. (7,66) - “Jeannie e hum Genio: a maior invenção do mundo (# 2.17)” (1967)
  14. (7,64) - “Jeannie e hum Genio: Qual casa da frente (# 1.14)?”(1965)
  15. (7,64) - “Jeannie e hum Genio: Fastest Gun no Oriente (# 2.7)”(1966)
  16. (7,63) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Civil (# 2.21)”(1967)
  17. (7,63) - “Jeannie e hum Genio: The Lady in the Bottle (# 1.1)”(1965)
  18. (7,63) - “Jeannie e hum Genio: There Goes the Melhor Genie I Ever Had (# 2.22)” (1967)
  19. (7,63) - “Jeannie e hum Genio: A Secretaria não é um brinquedo (# 2.26)” (1967)
  20. (7,62) - “Jeannie e hum Genio: Meu ligado, Master (# 3.4)”(1967)
  21. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: Feliz Aniversário (# 2.1)” (1966)
  22. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: Por favor, não alimente os Astronautas (# 3.20)” (1968)
  23. (7,59) - “Jeannie e hum Genio: O Yacht Murder Case (# 1.6)”(1965)
  24. (7,58) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Rainmaker (# 2.4)” (1966)
  25. (7,58) - “Jeannie e hum Genio: Fly Me to the Moon (# 3.1)”(1967)
  26. (7,58) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Spy (# 2.18)”(1967)
  27. (7,58) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie e os Pipchicks Selvagens (# 4.2)” (1968)
  28. (7,58) - “Jeannie e hum Genio: Você não pode me prender, eu não tenho carteira de motorista (# 2.19)” (1967)
  29. (7,57) - “Jeannie e hum Genio: Get Me to Mecca on Time (# 1.16)” (1966)
  30. (7,57) - “Jeannie e hum Genio: Quem você está chamando um Gênio (# 3.8)?” (1967)
  31. (7,57) - “Jeannie e hum Genio: Conheça Mãe de meu Mestre (# 3.9)” (1967)
  32. (7,53) - “Jeannie e hum Genio: Sempre no domingo (# 2.2)”(1966)
  33. (7,53) - “Jeannie e hum Genio: Here Comes Bootsie Nightingale (# 3.10)” (1967)
  34. (7,53) - “Jeannie e hum Genio: Uma das nossas garrafas Is Missing (# 2.20)” (1967)
  35. (7,53) - “Jeannie e hum Genio: o maior artista do mundo (# 2.23)” (1967)
  36. (7,52) - “Jeannie Genio hum E: Todo mundo é uma estrela de cinema (# 3.7)” (1967)
  37. (7,52) - “Jeannie e hum Genio: Meu mestre, o Mago (# 1.29)”(1966)
  38. (7,52) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ou o Tiger (# 3.2)”(1967)
  39. (7,52) - “Jeannie e hum Genio: Onde Você Vai-Vai (# 1.12)?”(1965)
  40. (7,48) - “Jeannie e hum Genio: Djinn and Water (# 1.10)” (1965)
  41. (7,48) - “Jeannie e hum Genio: GI Jeannie (# 1.5)” (1965)
  42. (7,47) - “Jeannie Genio hum E: Too Tonys Muitos (# 1.15)”(1965)
  43. (7,47) - “Jeannie e hum Genio: Quem precisa de um Jeannie Green-Eyed (# 2.9)?” (1966)
  44. (7,47) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ea Top Secret (# 4.9)”(1968)
  45. (7,47) - “Jeannie Genio hum E: Alguém aqui viu Jeannie (# 1.7)?” (1965)
  46. (7,47) - “Jeannie Genio hum E: Operação: primeiro casal na Lua (# 3.25)” (1968)
  47. (7,47) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Autor (# 2.16)”(1966)
  48. (7,42) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o fraco (# 3.5)”(1967)
  49. (7,42) - “Jeannie Genio hum E: Divórcio, Estilo Genie (# 3.22)”(1968)
  50. (7,42) - “Jeannie e hum Genio: Você já teve um Gênio Hate You (# 3.24)?” (1968)
  51. (7,42) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie ea Caper Casamento (# 1.4)” (1965)
  52. (7,37) - “Jeannie e hum Genio: O que há de novo, o cão Poodle (# 2.6)” (1966)
  53. (7,37) - “Jeannie e hum Genio: O Partido Mod (# 2.31)” (1967)
  54. (7,37) - “Jeannie e hum Genio: UFOh Jeannie (# 4.1)” (1968)
  55. (7,35) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie, o Hippie Hop (# 3.6)”(1967)
  56. (7,31) - “Jeannie e hum Genio: A americanização da Jeannie (# 1.8)” (1965)
  57. (7,28) - “Jeannie e hum Genio: My Hero (# 1.2)?” (1965)
  58. (7.25) - “Jeannie e hum Genio: O dedo em movimento (# 1.9)”(1965)
  59. (7.25) - “Jeannie e hum Genio: Genie, Genie, quem tem o Gênio: Part 1 (# 3.16)” (1968)
  60. (7.24) - “Jeannie e hum Genio: Adivinhe o que aconteceu no caminho para a Lua (# 1.3)?” (1965)
  61. (7.22) - “Jeannie e hum Genio: Jeannie Goes to Honolulu (# 3.14)” (1967)
  62. (7.17) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, Buddy Napoleão (# 2.28)” (1967)
  63. (7.17) - “Jeannie e hum Genio: Meu Mestre, o Ghostbreaker (# 3.21)” (1968)
  64. (7.15) - “Jeannie e hum Genio: O que aconteceu com bebê Custer (# 1.11)?” (1965)
  65. (7.02) - “Jeannie e hum Genio: Meu Filho, o Gênio (# 3.13)”(1967)
  66. (6,27) - Capricho dos Deuses (1988) (TV)
  67. (5,97) - Rage of Angels: The Story Continues (1986) (TV)
  68. (5,92) - Rage of Angels (1983) (TV)
  69. (5,85) - Memórias da Meia-Noite (1991) (TV)
  70. (5.67) - As Areias do Tempo (1992) (TV)
  71. (5.65) - O Palhaço Que Ri Nao (1957)
Diretor
  1. (6.51) - Buster e Billie (1974)
  2. (5,71) - Dream Wife (1953)
  3. (5.47) - O Palhaço Que Ri Nao (1957)
Ator
  1. (5,96) - Três caras chamados Mike (1951)
  2. (5,58) - Memórias da Meia-Noite (1991) (TV)

Classificações ponderadas são fornecidas em parêntesis para a esquerda de cada título. A fórmula para a ponderação dos votos é a seguinte:

    média ponderada = (v ÷ (v + m)) × R + (m ÷ (v + m)) × C

José de Alencar


Desculpai-me!


José de Alencar

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Último texto

Desculpai-me!

José de Alencar

Vou contar-vos uma coisa que me sucedeu ontem: é um dos episódios mais interessantes de minha vida de escritor. Aposto que nunca vistes escrever sem tinta!

Pois lede estas primeiras páginas, compreendereis como aquele milagre é possível no século atual, no século do progresso.

Eis o caso.

Foi ontem, por volta das dez horas. Estava em casa de um amigo, e aí mesmo dispunha-me a escrever a minha revista.

Sentei-me à mesa, e, com todo o desplante de um homem, que não sabe o que tem a dizer, ia dar começo ao meu folhetim, quando…

Talvez não acrediteis.

Tomei a pena e levei-a ao tinteiro; mas ela estremeceu toda, coitadinha, e saiu intacta e pura. Não trazia nem uma niilidade de tinta. Fiz nova experiência, e foi debalde.

O caso tornava-se grave, e já ia saindo do meu sério, quando a pena deu um passo, creio que temperou a garganta, e pediu a palavra.

Estava perdido!

Tinha uma pena oradora, tinha discussões parlamentares, discursos de cinco e seis horas. Que elementos para não trabalhar!

Nada; era preciso por um termo a semelhante abuso, e tomar uma resolução pronta e imediata.

Comecei por bater o pé, e passar uma repreensão severa nos meus dois empregados, que assim se esqueciam dos seus deveres.

O meio era bom, e sortiu o desejado efeito como sempre.

Entramos em explicações; e no fim de contas soube a causa dessa dissidência.

A pena se tinha declarado em oposição aberta; o tinteiro era ministerialquand même. E ambos tão decididos nas suas opiniões, que não havia meio de fazê-los voltar atrás.

Era impossível, pois, evitar uma discussão; resignei-me a ouvir os prós e oscontras deste meu pequeno parlamento.

A pena do meu amigo fez um discurso muito desconchavado, a falar a verdade. Por mais que lho tenha dito, não quer acreditar que a oratória não é o seu forte; tirando-a da mesa e do papel não vale nada.

Enquanto, porém, ela falava, o tinteiro voltava-lhe as costas de uma maneira desdenhosa, o que não achei bonito. Estive quase chamando-o à ordem; mas não me animei.

Chegou finalmente a vez de falar ele, e defendeu-se dizendo que todas aspenas faziam oposição aos tinteiros logo que estes lhes recusavam oelemento para trabalhar, e não lhes davam a tinta necessária para escrever, sem a qual ficavam a seco.

— C’est trop fort! gritou a pena do meu amigo, que gosta de falar emfrancês. Quebro os meus bicos antes do que receber uma só gota de tinta em semelhante tinteiro.

E, se o disse, melhor o fez. Não houve forças que a fizessem molhar os bicos no tinteiro e escrever uma só palavra com aquela tinta.

Atirei-a de lado, abri a gaveta, e tomei um maço de penas que aí havia de reserva.

Mesma coisa: todas elas tinham ouvido, todas se julgavam comprometidas a sustentar a dignidade de sua classe.

Por fim, perdi a paciência, zanguei-me, e, como já era mais de meio-dia, larguei-me a toda pressa para a casa, a fim de escrever alguma coisa que pudesse fazer as vezes de um folhetim.

Mas uma nova decepção me esperava.

A minha pena, de ordinário tão alegre e tão travessa, a minha pena, que é sempre a primeira a lançar-se ao meu encontro, a sorrir-me a dar-me os bons dias, estava toda amuada, e quase escondida entre um maço de papéis.

Quanto ao meu tinteiro, o mais pacato e o mais prudente dos tinteiros do mundo, este tinha um certo ar político, um desplante de chefe de maioria, que me gelou de espanto.

Alguma coisa se tinha passado na minha ausência, algum fato desconhecido que viera perturbar a harmonia e a feliz inteligência que existia entre amigos de tanto tempo.

Ora, é preciso que saibam que há completa disparidade entre esses dois companheiros fiéis das minhas vigílias e dos meus trabalhos.

O meu tinteiro é gordo e barrigudo como um capitão-mor de província. A minha pena é esbelta e delicada como uma mocinha de quinze anos.

Um é sisudo, merencório e tristonho; a outra é descuidosa, alegre, e às vezes tão travessa que me vejo obrigado a ralhar com ela para fazê-la ter modo.

Entretanto, apesar desta diferença de gênios, combinavam-se e viviam perfeitamente. Tinha-os unido o ano passado, e a lua de mel ainda durava. Eram o exemplo dos bem casados.

Façam, portanto, idéia do meu desapontamento quando comecei a perceber que havia entre eles o que quer que fosse.

Era nada menos do que a repetição da primeira cena.

Felizmente não veio acompanhada de discussões parlamentares, mesmo porque na minha mesa de escrever não admito o sistema constitucional.

É o governo absoluto puro. Algumas vezes concedo o direito de petição; no mais, é justiça a Salomão, pronta e imediata.

A minha pena, como as penas do meu amigo, como todas as penas de brio e pundonor, tinha declarado guerra aos tinteiros do mundo.

Não havia, pois, que hesitar.

Lembrei-me que ela me tinha sido confiada há coisa de nove meses pura e cândida, e que assim a devia restituir. Lembrei-me de muitas outras coisas, e tomei uma resolução inabalável.

Atirei o meu tinteiro pela janela fora.

A pena saltou, de tão alegre e contentinha que ficou. Fez-me mil carícias, sorriu, coqueteou, e por fim, fazendo-me um gestozinho de Charton noBarbeiro de Sevilha, um gestozinho que me mandava esperar, lançou-se sobre o papel e começou a correr.

Escrevia sem tinta.

Quero dizer, desenhava; esgrafiava sobre o papel quadros e cenas que eu me recordava ter visto há pouco tempo; debuxava flores, céus, estrelas, nuvens, sorrisos de mulheres, formas de anjos, tudo de envolta e no meio de uma confusão graciosa.

E eu nem me lembrei mais de escrever, e fiquei horas esquecidas a olhar esses quadros, que decerto não conseguirei pintar-vos.

Recordo-me de um.

Passava-se na segunda-feira, na baía de Botafogo.

A uma hora o tempo fez umas caretas, como para meter susto aos medrosos.

Daí a alguns momentos o sol brilhou, o azul do céu iluminou-se, e uma brisa ligeira correu com os vapores do temporal que ainda toldavam a atmosfera.

(1855)

José de Alencar nasceu em Mecejana (CE) em 1829 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1877. Advogado, jornalista, político, jurista, orador, professor, romancista e teatrólogo, é um dos mais importantes nomes da literatura nacional. É autor, entre muitos outros, de “O Guarani” e “Iracema”, livros centrais do Romantismo brasileiro. Teve breve atuação como cronista nas páginas do Correio Mercantil, de Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto, sogro de Francisco Otaviano, grande amigo do escritor. Foi nesse jornal que, a partir dos 25 anos, começou a publicar os folhetins intitulados “Ao Correr da Pena”, mais tarde reunidos em livro com o mesmo nome. Também trabalhou, a partir de 1855, no Diário do Rio de Janeiro, jornal onde protagonizou célebre polêmica com o poeta Gonçalves de Magalhães. Em 1866, publicou o fragmento autobiográfico “Porque Sou Romancista”, uma resposta à crítica elogiosa a “Iracema” escrita por Machado de Assis. Dois anos mais tarde, no Correio Mercantil, publicou uma carta, também direcionada a Machado de Assis, em que apresenta o jovem poeta Castro Alves ao romancista. Alencar ainda seria colaborador de O Globo, onde assinou o folhetim “Aos Domingos” a partir de 1875, e do semanário “O Protesto”, do qual chegou a editar alguns números no ano de sua morte. Alencar é o patrono da Cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras.


Texto extraído do livro “Ao correr da pena”, Edições Melhoramentos, sem data, pág. 227,obtido no site do Instituto Itaú Cultural.

 

José Saramago


José Saramago

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Último texto

O conto da ilha desconhecida

José Saramago

Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado se ria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré.

Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele. Ora, isto era um enorme problema, se tivermos em consideração que, de acordo com a pragmática das portas, ali só se podia atender um suplicante de cada vez, donde resultava que, enquanto houvesse alguém à espera de resposta, nenhuma outra pessoa se poderia aproximar a fim de expor as suas necessidades ou as suas ambições. À primeira vista, quem ficava a ganhar com este artigo do regulamento era o rei, dado que, sendo menos numerosa a gente que o vinha incomodar com lamúrias, mais tempo ele passava a ter, e mais descanso, para receber, contemplar e guardar os obséquios. À segunda vista, porém, o rei perdia, e muito, porque os protestos públicos, ao notar-se que a resposta estava a tardar mais do que o justo, faziam aumentar gravemente o descontentamento social, o que, por seu turno, ia ter imediatas e negativas consequências no afluxo de obséquios. No caso que estamos narrando, o resultado da ponderação entre os benefícios e os prejuízos foi ter ido o rei, ao cabo de três dias, e em real pessoa, à porta das petições, para saber o que queria o intrometido que se havia negado a encaminhar o requerimento pelas competentes vias burocráticas. Abre a porta, disse o rei à mulher da limpeza, e ela perguntou, Toda, ou só um bocadinho. O rei duvidou por um instante, na verdade não gostava muito de se expor aos ares da rua, mas depois reflexionou que pareceria mal, além de ser indigno da sua majestade, falar com um súdito através de uma nesga, como se tivesse medo dele, mormente estando a assistir ao colóquio a mulher da limpeza, que logo iria dizer por aí sabe Deus o quê, De par em par, ordenou. O homem que queria um barco levantou-se do degrau da porta quando começou a ouvir correr os ferrolhos, enrolou a manta e pôs-se à espera. Estes sinais de que finalmente alguém vinha atender, e que portanto a praça não tardaria a ficar desocupada, fizeram aproximar-se da porta uns quantos aspirantes à liberalidade do trono que por ali andavam, prontos a assaltar o lugar mal ele vagasse. O inopinado aparecimento do rei (nunca uma tal coisa havia sucedido desde que ele andava de coroa na cabeça) causou uma surpresa desmedida, não só aos ditos candidatos mas também à vizinhança que, atraída pelo repentino alvoroço, assomara às janelas das casas, no outro lado da rua. A única pessoa que não se surpreendeu por aí além foi o homem que tinha vindo pedir um barco. Calculara ele, e acertara na previsão, que o rei, mesmo que demorasse três dias, haveria de sentir-se curioso de ver a cara de quem, sem mais nem menos, com notável atrevimento, o mandara chamar. Repartido pois entre a curiosidade que não pudera reprimir e o desagrado de ver tanta gente junta, o rei, com o pior dos modos, perguntou três perguntas seguidas, Que é que queres, Por que foi que não disseste logo o que querias, Pensarás tu que eu não tenho mais nada que fazer, mas o homem só respondeu à primeira pergunta, Dá-me um barco, disse. O assombro deixou o rei a tal ponto desconcertado, que a mulher da limpeza se apressou a chegar-lhe uma cadeira de palhinha, a mesma em que ela própria se sentava quando precisava de trabalhar de linha e agulha, pois, além da limpeza, tinha também à sua responsabilidade alguns, trabalhos menores de costura no palácio como passajar as peúgas dos pajens. Mal sentado, porque a cadeira de palhinha era muito mais baixa que o trono, o rei estava a procurar a melhor maneira de acomodar as pernas, ora encolhendo-as ora estendendo-as para os lados, enquanto o homem que queria um barco esperava com paciência a pergunta que se seguiria, E tu para que queres um barco, pode-se saber, foi o que o rei de facto perguntou quando finalmente se deu por instalado, com sofrível comodidade, na cadeira da mulher da limpeza, Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem, Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando o riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, dos que têm a mania das navegações, a quem não seria bom contrariar logo de entrada, A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida, A quem ouviste tu falar dela, perguntou o rei, agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, por que teimas em dizer que ela existe, Simplesmente porque é impossível que não exista uma ilha desconhecida, E vieste aqui para me pedires um barco, Sim, vim aqui para pedir-te um barco, E tu quem és, para que eu to dê, E tu quem és, para que não mo dês, Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos, Mais lhes pertencerás tu a eles do que eles a ti, Que queres dizer, perguntou o rei, inquieto, Que tu, sem eles, és nada, e que eles, sem ti, poderão sempre navegar, Às minhas ordens, com os meus pilotos e os meus marinheiros, Não te peço marinheiros nem piloto, só te peço um barco, E essa ilha desconhecida, se a encontrares, será para mim, A ti, rei, só te interessam as ilhas conhecidas, Também me interessam as desconhecidas quando deixam de o ser, Talvez esta não se deixe conhecer, Então não te dou o barco, Darás. Ao ouvirem esta palavra, pronunciada com tranquila firmeza, os aspirantes à porta das petições, em quem, minuto após minuto, desde o princípio da conversa, a impaciência vinha crescendo, e mais para se verem livres dele do que por simpatia solidária, resolveram intervir a favor do homem que queria o barco, começando a gritar, Dá-lhe o barco, dá-lhe o barco. O rei abriu a boca para dizer à mulher da limpeza que chamasse a guarda do palácio a vir restabelecer imediatamente a ordem pública e impor a disciplina, mas, nesse momento, as vizinhas que assistiam das janelas juntaram-se ao coro com entusiasmo, gritando como os outros, Dá-lhe o barco, dá-lhe o barco. Perante uma tão iniludível manifestação da vontade popular e preocupado com o que, neste meio tempo, já haveria perdido na porta dos obséquios, o rei levantou a mão direita a impor silêncio e disse, Vou dar-te um barco, mas a tripulação terás de arranjá-la tu, os meus marinheiros são-me precisos para as ilhas conhecidas. Os gritos de aplauso do público não deixaram que se percebesse o agradecimento do homem que viera pedir um barco, aliás o movimento dos lábios tanto teria podido ser Obrigado, meu senhor, como Eu cá me arranjarei, mas o que distintamente se ouviu foi o dito seguinte do rei, Vais à doca, perguntas lá pelo capitão do porto, dizes-lhe que te mandei eu, e ele que te dê o barco, levas o meu cartão. O homem que ia receber um barco leu o cartão de visita, onde dizia Rei por baixo do nome do rei, e eram estas as palavras que ele havia escrito sobre o ombro da mulher da limpeza, Entrega ao portador um barco, não precisa ser grande, mas que navegue bem e seja seguro, não quero ter remorsos na consciência se as coisas lhe correrem mal. Quando o homem levantou a cabeça, supõe-se que desta vez é que iria agradecer a dádiva, já o rei se tinha retirado, só estava a mulher da limpeza a olhar para ele com cara de caso. O homem desceu do degrau da porta, sinal de que os outros candidatos podiam enfim avançar, nem valeria a pena explicar que a confusão foi indescritível, todos a quererem chegar ao sítio em primeiro lugar, mas com tão má sorte que a porta já estava fechada outra vez. A aldraba de bronze tornou a chamar a mulher da limpeza, mas a mulher da limpeza não está, deu a volta e saiu com o balde e a vassoura por outra porta, a das decisões, que é raro ser usada, mas quando o é, é. Agora sim, agora pode-se compreender o porquê da cara de caso com que a mulher da limpeza havia estado a olhar, foi esse o preciso momento em que ela resolveu ir atrás do homem quando ele se dirigisse ao porto a tomar conta do barco. Pensou ela que já bastava de uma vida a limpar e a lavar palácios, que tinha chegado a hora de mudar de ofício, que lavar e limpar barcos é que era a sua vocação verdadeira, no mar, ao menos, a água nunca lhe faltaria. O homem nem sonha que, não tendo ainda sequer começado a recrutar os tripulantes, já leva atrás de si a futura encarregada das baldeações e outros asseios, também é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual.

Andando, andando, o homem chegou ao porto, foi à doca, perguntou pelo capitão, e enquanto ele não chegava deitou-se a adivinhar qual seria, de quantos barcos ali estavam, o que iria ser o seu, grande já se sabia que não, o cartão de visita do rei era muito claro neste ponto, por conseguinte ficavam de fora os paquetes, os cargueiros e os navios de guerra, tão-pouco poderia ser ele tão pequeno que resistisse mal às forças do vento e aos rigores do mar, o rei também havia sido categórico neste ponto, Que navegue bem e seja seguro, foram estas as suas formais palavras, assim implicitamente excluindo os botes, as faluas e os escaleres, os quais, sendo bons navegantes, e seguros, conforme a condição de cada qual, não tinham nascido para sulcar os oceanos, que é onde se encontram as ilhas desconhecidas. Um pouco afastada dali, escondida por trás de uns bidões, a mulher da limpeza correu os olhos pelos barcos atracados, Para o meu gosto, aquele, pensou, porém a sua opinião não contava, nem sequer havia sido ainda contratada, vamos ouvir antes o que dirá o capitão do porto. O capitão veio, leu o cartão, mirou o homem de alto a baixo, e fez a pergunta que o rei se tinha esquecido de fazer, Sabes navegar, tens carta de navegação, ao que o homem respondeu, Aprenderei no mar. O capitão disse, Não to aconselharia, capitão sou eu, e não me atrevo com qualquer barco, Dá-me então um com que possa atrever-me eu, não, um desses não, dá-me antes um barco que eu respeite e que possa respeitar-me a mim, Essa linguagem é de marinheiro, mas tu não és marinheiro, Se tenho a linguagem, é como se o fosse. O capitão tornou a ler o cartão do rei, depois perguntou, Poderás dizer-me para que queres o barco, Para ir à procura da ilha desconhecida, Já não há ilhas desconhecidas, O mesmo me disse o rei, O que ele sabe de ilhas, aprendeu-o comigo, É estranho que tu, sendo homem do mar, me digas isso, que já não há ilhas desconhecidas, homem da terra sou eu, e não ignoro que todas as ilhas, mesmo as conhecidas, são desconhecidas enquanto não desembarcarmos nelas, Mas tu, se bem entendi, vais à procura de uma onde nunca ninguém tenha desembarcado, Sabê-lo-ei quando lá chegar, Se chegares, Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas, se tal me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse, Queres dizer que chegar, sempre se chega, Não serias quem és se não o soubesses já. O capitão do porto disse, Vou dar-te a embarcação que te convém, Qual é ela, É um barco com muita experiência, ainda do tempo em que toda a gente andava à procura de ilhas desconhecidas, Qual é ele, Julgo até que encontrou algumas, Qual, Aquele. Assim que a mulher da limpeza percebeu para onde o capitão apontava, saiu a correr de detrás dos bidões e gritou, É o meu barco, é o meu barco, há que perdoar-lhe a insólita reivindicação de propriedade, a todos os títulos abusiva, o barco era aquele de que ela tinha gostado, simplesmente. Parece uma caravela, disse o homem, Mais ou menos, concordou o capitão, no princípio era uma caravela, depois passou por arranjos e adaptações que a modificaram um bocado, Mas continua a ser uma caravela, Sim, no conjunto conserva o antigo ar, E tem mastros e velas, Quando se vai procurar ilhas desconhecidas, é o mais recomendável. A mulher da limpeza não se conteve, Para mim não quero outro, Quem és tu, perguntou o homem, Não te lembras de mim, Não tenho idéia, Sou a mulher da limpeza, Qual limpeza, A do palácio do rei, A que abria a porta das petições, Não havia outra, E por que não estás tu no palácio do rei a limpar e a abrir portas, Porque as portas que eu realmente queria já foram abertas e porque de hoje em diante só limparei barcos, Então estás decidida a ir comigo procurar a ilha desconhecida, Saí do palácio pela porta das decisões, Sendo assim, vai para a caravela, vê como está aquilo, depois do tempo que passou deve precisar de uma boa lavagem, e tem cuidado com as gaivotas, que não são de fiar, Não queres vir comigo conhecer o teu barco por dentro, Tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar. O capitão do porto interrompeu a conversa, Tenho de entregar as chaves ao dono do barco, a um ou a outro, resolvam-se, a mim tanto se me dá, Os barcos têm chave, perguntou o homem, Para entrar, não, mas lá estão as arrecadações e os paióis, e a escrivaninha do comandante com o diário de bordo, Ela que se encarregue de tudo, eu vou recrutar a tripulação, disse o homem, e afastou-se.

A mulher da limpeza foi ao escritório do capitão para recolher as chaves, depois entrou no barco, duas coisas lhe valeram aí, a vassoura do palácio e a prevenção contra as gaivotas, ainda não tinha acabado de atravessar a prancha que ligava a amurada ao cais e já as malvadas estavam a precipitar-se sobre ela aos guinchos, furiosas, de goela aberta, como se ali mesmo a quisessem devorar. Não sabiam com quem se metiam. A mulher da limpeza pousou o balde, meteu as chaves no seio, firmou bem os pés na prancha, e, redemoinhando a vassoura como se fosse um espadão dos tempos antigos, fez debandar o bando assassino. Foi só quando entrou no barco que compreendeu a ira das gaivotas, havia ninhos por toda a parte, muitos deles abandonados, outros ainda com ovos, e uns poucos com gaivotinhos de bico aberto, à espera da comida, Pois sim, mas o melhor é mudarem-se daqui, um barco que vai procurar a ilha desconhecida não pode ter este aspecto, como se fosse um galinheiro, disse. Atirou para a água os ninhos vazios, quanto aos outros deixou-os ficar, até ver. Depois arregaçou as mangas e pôs-se a lavar a coberta. Quando acabou a dura tarefa, foi abrir o paiol das velas e procedeu a um exame minucioso do estado das costuras, depois de tanto tempo sem irem ao mar e sem terem de suportar os esticões saudáveis do vento. As velas são os músculos do barco, basta ver como incham quando se esforçam, mas, e isso mesmo sucede aos músculos, se não se lhes dá uso regularmente, abrandam, amolecem, perdem nervo, E as costuras são como os nervos das velas, pensou a mulher da limpeza, contente por estar a aprender tão depressa a arte de marinharia. Achou esgarçadas algumas bainhas, mas contentou-se com assinalá-las, uma vez que para este trabalho não podiam servir a linha e a agulha com que passajava as peúgas dos pajens antigamente, quer dizer, ainda ontem. Quanto aos outros paióis, viu logo que estavam vazios. Que o da pólvora estivesse desmunido, salvo uns pozinhos negros no fundo, que primeiro mais lhe pareceram caganitas de rato, não lhe importou nada, de facto não está escrito em nenhuma lei, pelo menos até onde a sabedoria duma mulher da limpeza é capaz de alcançar, que ir em busca duma ilha desconhecida tenha de ser forçosamente uma empresa de guerra. Já a ralou, e muito, a falta absoluta de munições de boca no paiol respectivo, não por si própria, que estava mais do que acostumada ao mau passadio do palácio, mas por causa do homem a quem deram este barco, não tarda que o sol se ponha, e ele a aparecer-me aí a clamar que tem fome, que é o dito de todos os homens mal entram em casa, como se só eles é que tivessem estômago e sofressem da necessidade de o encher, E se já traz marinheiros para a tripulação, que são uns ogres a comer, então é que não sei como nos iremos governar, disse a mulher da limpeza.

Não valia a pena ter-se preocupado tanto. O sol havia acabado de sumir-se no oceano quando o homem que tinha um barco surgiu no extremo do cais. Trazia um embrulho na mão, porém vinha sozinho e cabisbaixo. A mulher da limpeza foi esperá-lo à prancha, mas antes que ela abrisse a boca para se inteirar de como lhe tinha corrido o resto do dia, ele disse, Está descansada, trago aqui comida para os dois, E os marinheiros, perguntou ela, Não veio nenhum, como podes ver, Mas deixaste-os apalavrados, ao menos, tornou ela a perguntar, Disseram-me que já não há ilhas desconhecidas, e que, mesmo que as houvesse, não iriam eles tirar-se do sossego dos seus lares e da boa vida dos barcos de carreira para se meterem em aventuras oceânicas, à procura de um impossível, como se ainda estivéssemos no tempo do mar tenebroso, E tu, que lhes respondeste, Que o mar é sempre tenebroso, E não lhes falaste da ilha desconhecida, Como poderia falar-lhes eu duma ilha desconhecida, se não a conheço, Mas tens a certeza de que ela existe, Tanta como a de ser tenebroso o mar, Neste momento, visto daqui, com aquela água cor de jade e o céu como um incêndio, de tenebroso não lhe encontro nada, É uma ilusão tua, também as ilhas às vezes parece que flutuam sobre as águas, e não é verdade, Que pensas fazer, se te falta a tripulação, Ainda não sei, Podíamos ficar a viver aqui, eu oferecia-me para lavar os barcos que vêm à doca, e tu, E eu, Tens com certeza um mester, um ofício, uma profissão, como agora se diz, Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és, O filósofo do rei, quando não tinha que fazer, ia sentar-se ao pé de mim, a ver-me passajar as peúgas dos pajens, e às vezes dava-lhe para filosofar, dizia que todo o homem é uma ilha, eu, como aquilo não era comigo, visto que sou mulher, não lhe dava importância, tu que achas, Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós, Se não saímos de nós próprios, queres tu dizer, Não é a mesma coisa. O incêndio do céu ia esmorecendo, a água arroxeou-se de repente, agora nem a mulher da limpeza duvidaria de que o mar é mesmo tenebroso, pelo menos a certas horas. Disse o homem, Deixemos as filosofias para o filósofo do rei, que para isso é que lhe pagam, agora vamos nós comer, mas a mulher não esteve de acordo, Primeiro, tens de ver o teu barco, só o conheces por fora, Que tal o encontraste, Há algumas bainhas das velas que estão a precisar de reforço, Desceste ao porão, encontraste água aberta, No fundo vê-se alguma, de mistura com o lastro, mas isso parece que é próprio, faz bem ao barco, Como foi que aprendeste essas coisas, Assim, Assim como, Como tu, quando disseste ao capitão do porto que aprenderias a navegar no mar, Ainda não estamos no mar, Mas já estamos na água, Sempre tive a idéia de que para a navegação só há dois mestres verdadeiros, um que é o mar, o outro que é o barco, E o céu, estás a esquecer-te do céu, Sim, claro, o céu, Os ventos, As nuvens, O céu, Sim, o céu.

Em menos de um quarto de hora tinham acabado a volta pelo barco, uma caravela, mesmo transformada, não dá para grandes passeios. É bonita, disse o homem, mas se eu não conseguir arranjar tripulantes suficientes para a manobra, terei de ir dizer ao rei que já não a quero, Perdes o ânimo logo à primeira contrariedade, A primeira contrariedade foi estar à espera do rei três dias, e não desisti, Se não encontrares marinheiros que queiram vir, cá nos arranjaremos os dois, Estás doida, duas pessoas sozinhas não seriam capazes de governar um barco destes, eu teria de estar sempre ao leme, e tu, nem vale a pena estar a explicar-te, é uma loucura, Depois veremos, agora vamos mas é comer. Subiram para o castelo de popa, o homem ainda a protestar contra o que chamara loucura, e, ali, a mulher da limpeza abriu o farnel que ele tinha trazido, um pão, queijo duro, de cabra, azeitonas, uma garrafa de vinho. A lua já estava meio palmo sobre o mar, as sombras da verga e do mastro grande vieram deitar-se-lhes aos pés. É realmente bonita a nossa caravela, disse a mulher, e emendou logo, A tua, a tua caravela, Desconfio que não o será por muito tempo, Navegues ou não navegues com ela, é tua, deu-ta o rei, Pedi-lha para ir procurar uma ilha desconhecida, Mas estas coisas não se fazem do pé para a mão, levam o seu tempo, já o meu avô dizia que quem vai ao mar avia-se em terra, e mais não era ele marinheiro, Sem tripulantes não poderemos navegar, Já o tinhas dito, E há que abastecer o barco das mil coisas necessárias a uma viagem como esta, que não se sabe aonde nos levará, Evidentemente, e depois teremos de esperar que seja a boa estação, e sair com a boa maré, e vir gente ao cais a desejar-nos boa viagem, Estás a rir-te de mim, Nunca me riria de quem me fez sair pela porta das decisões, Desculpa-me, E não tornarei a passar por ela, suceda o que suceder. O luar iluminava em cheio a cara da mulher da limpeza, É bonita, realmente é bonita, pensou o homem, que desta vez não estava a referir-se à caravela. A mulher, essa, não pensou nada, devia ter pensado tudo durante aqueles três dias, quando entreabria de vez em quando a porta para ver se aquele ainda continuava lá fora, à espera. Não sobrou migalha de pão ou de queijo, nem gota de vinho, os caroços das azeitonas foram atirados para a água, o chão está tão limpo como ficara quando a mulher da limpeza lhe passou por cima o último esfregão. A sereia de um paquete que saía para o mar soltou um ronco potente, como deviam ter sido os do leviatã, e a mulher disse, Quando for a nossa vez faremos menos barulho. Apesar de estarem no interior da doca, a água ondulou um pouco à passagem do paquete, e o homem disse, Mas baloiçaremos muito mais. Riram os dois, depois ficaram calados, passado um bocado um deles opinou que o melhor seria irem dormir, Não é que eu tenha muito sono, e o outro concordou, Nem eu, depois calaram-se outra vez, a lua subiu e continuou a subir, em certa altura a mulher disse, Há beliches lá em baixo, o homem disse, Sim, e foi então que se levantaram, que desceram à coberta, aí a mulher disse, Até amanhã, eu vou para este lado, e o homem respondeu, E eu vou para este, até amanhã, não disseram bombordo nem estibordo, decerto por estarem ainda a praticar na arte. A mulher voltou atrás, Tinha-me esquecido, tirou do bolso do avental dois cotos de vela, Encontrei-os quando andava a limpar, o que não tenho é fósforos, Eu tenho, disse o homem. Ela segurou as velas, uma em cada mão, ele acendeu um fósforo, depois, abrigando a chama sob a cúpula dos dedos curvados, levou-a com todo o cuidado aos velhos pavios, a luz pegou, cresceu lentamente como faz o luar, banhou a cara da mulher da limpeza, nem seria preciso dizer o que ele pensou, É bonita, mas o que ela pensou, sim, Vê-se bem que só tem olhos para a ilha desconhecida, aqui está como as pessoas se enganam nos sentidos do olhar, sobretudo ao princípio. Ela entregou-lhe uma vela, disse, Até amanhã, dorme bem, ele quis dizer o mesmo doutra maneira, Que tenhas sonhos felizes, foi a frase que lhe saiu, daqui a pouco, quando lá estiver em baixo, deitado no seu beliche, vir-lhe-ão à ideia outras frases, mais espirituosas, sobretudo mais insinuantes, como se espera que sejam as de um homem quando está a sós com uma mulher. Perguntava-se se já dormiria, se teria tardado a entrar no sono, depois imaginou que andava à procura dela e não a encontrava em nenhum sítio, que estavam perdidos os dois num barco enorme, o sonho é um prestidigitador hábil, muda as proporções das coisas e as suas distâncias, separa ás pessoas, e elas estão juntas, reúne-as, e quase não se vêem uma à outra, a mulher dorme a poucos metros e ele não soube como alcançá-la, quando é tão fácil ir de bombordo a estibordo.

Tinha-lhe desejado felizes sonhos, mas foi ele quem levou toda a noite a sonhar. Sonhou que a sua caravela ia no mar alto, com as três velas triangulares gloriosamente enfunadas, abrindo caminho sobre as ondas, enquanto ele manejava a roda do leme e a tripulação descansava à sombra. Não percebia como podiam ali estar os marinheiros que no porto e na cidade se tinham recusado a embarcar com ele para ir à procura da ilha desconhecida, provavelmente arrependeram-se da grosseira ironia com que o haviam tratado. Via animais espalhados pela coberta, patos, coelhos, galinhas, o habitual da criação doméstica, debicando os grãos de milho ou roendo as folhas de couve que um marinheiro lhes atirava, não se lembrava de quando os tinha trazido para o barco, fosse como fosse era natural que ali estivessem, imaginemos que a ilha desconhecida é, como tantas vezes o foi no passado, uma ilha deserta, o melhor será jogar pelo seguro, todos sabemos que abrir a porta da coelheira e agarrar um coelho pelas orelhas sempre foi mais fácil do que persegui-lo por montes e vales. Do fundo do porão veio agora um coro de relinchos de cavalos, de mugidos de bois, de zurros de asnos, as vozes dos nobres animais necessários para o trabalho pesado, e como foi que vieram eles, como podem estar numa caravela onde a tripulação humana mal cabe, de súbito o vento deu uma guinada, a vela maior bateu e ondulou, por trás dela estava o que antes não se vira, um grupo de mulheres que mesmo sem as contar se adivinha serem tantas quantos os marinheiros, ocupam-se nas suas coisas de mulheres, ainda não chegou o tempo de se ocuparem doutras, está claro que isto só pode ser um sonho, na vida real nunca se viajou assim. O homem do leme buscou com os olhos a mulher da limpeza e não a viu, Talvez esteja no beliche de estibordo, a descansar da lavagem da coberta, pensou, mas foi um pensar fingido, porque ele bem sabe, embora também não saiba como o sabe, que ela à última hora não quis vir, que saltou para o cais, dizendo de lá, Adeus, adeus, já que só tens olhos para a ilha desconhecida, vou-me embora, e não era verdade, agora mesmo andam os olhos dele a procurá-la e não a encontram. Neste momento o céu cobriu-se e começou a chover, e, tendo chovido, principiaram a brotar inúmeras plantas das fileiras de sacos de terra alinhadas ao longo da amurada, não estão ali porque se suspeite que não haja terra bastante na ilha desconhecida, mas porque assim se ganhará tempo, no dia em que lá chegarmos só teremos que transplantar as árvores de fruto, semear os grãos das pequenas searas que vão amadurecer aqui, enfeitar os canteiros com as flores que desabrocharão destes botões. O homem do leme pergunta aos marinheiros que descansam na coberta se avistam alguma ilha desabitada, e eles respondem que não vêem nem de umas nem das outras, mas que estão a pensar em desembarcar na primeira terra povoada que lhes apareça, desde que haja lá um porto onde fundear, uma taberna onde beber e uma cama onde folgar, que aqui não se pode, com toda esta gente junta. E a ilha desconhecida, perguntou o homem do leme, A ilha desconhecida é coisa que não existe, não passa duma ideia da tua cabeça, os geógrafos do rei foram ver nos mapas e declararam que ilhas por conhecer é coisa que se acabou desde há muito tempo, Devíeis ter ficado na cidade, em lugar de vir atrapalhar-me a navegação, Andávamos à procura de um sítio melhor para viver e resolvemos aproveitar a tua viagem, Não sois marinheiros, Nunca o fomos, Sozinho, não serei capaz de governar o barco, Pensasses nisso antes de ir pedi-lo ao rei, o mar não ensina a navegar. Então o homem do leme viu uma terra ao longe e quis passar adiante, fazer de conta que ela era a miragem de uma outra terra, uma imagem que tivesse vindo do outro lado do mundo pelo espaço, mas os homens que nunca haviam sido marinheiros protestaram, disseram que ali mesmo é que queriam desembarcar, Esta é uma ilha do mapa, gritaram, matar-te-emos se não nos levares lá. Então, por si mesma, a caravela virou a proa em direcção à terra, entrou no porto e foi encostar à muralha da doca, Podeis ir-vos, disse o homem do leme, acto contínuo saíram em correnteza, primeiro as mulheres, depois os homens, mas não foram sozinhos, levaram com eles os patos, os coelhos e as galinhas, levaram os bois, os burros e os cavalos, e até as gaivotas, uma após outra, levantaram voo e se foram do barco transportando no bico os seus gaivotinhos, proeza que não tinha sido cometida antes, mas há sempre uma vez. O homem do leme assistiu à debandada em silêncio, não fez nada para reter os que o abandonavam, ao menos tinham-no deixado com as árvores, os trigos e as flores, com as trepadeiras que se enrolavam nos mastros e pendiam da amurada como festões. Por causa do atropelo da saída haviam-se rompido e derramado os sacos de terra, de modo que a coberta era toda ela como um campo lavrado e semeado, só falta que venha um pouco mais de chuva para que seja um bom ano agrícola. Desde que a viagem à ilha desconhecida começou que não se vê o homem do leme comer, deve ser porque está a sonhar, apenas a sonhar, e se no sonho lhe apetecesse um pedaço de pão ou uma maçã, seria um puro invento, nada mais. As raízes das árvores já estão penetrando no cavername, não tarda que estas velas içadas deixem de ser precisas, bastará que o vento sopre nas copas e vá encaminhando a caravela ao seu destino. É uma floresta que navega e se balanceia sobre as ondas, uma floresta onde, sem saber-se como, começaram a cantar pássaros, deviam estar escondidos por aí e de repente decidiram sair à luz, talvez porque a seara já esteja madura e é preciso ceifá-la. Então o homem trancou a roda do leme e desceu ao campo com a foice na mão, e foi quando tinha cortado as primeiras espigas que viu uma sombra ao lado da sua sombra. Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele, confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se sabe se este é o de bombordo ou o de estibordo. Depois, mal o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar na proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o nome que ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.


José Saramago
 nasceu em 1922 na aldeia de Azinhaga (Golegã). Fez estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não pôde prosseguir. Seu primeiro emprego foi o de serralheiro mecânico, tendo exercido depois, diversas outras profissões: desenhista, funcionário de saúde e de previdência social, editor, tradutor, jornalista.

Publicou o seu primeiro livro, um romance, em 1947. Colaborou como crítico literário na revista “Seara Nova”. Em 1972 e 1973 fez parte da redação do jornal “Diário de Lisboa”. Pertenceu à primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, desde 1985 a 1994, presidente da Assembléia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi diretor-adjunto do jornal “Diário de Notícias”. A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.

É Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Turim (Itália), de Sevilha (Espanha) e de Manchester (Reino Unido); membro Honoris Causa do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); membro da Academia Universal das Culturas (Paris); membro correspondente da Academia Argentina das Letras; membro do Parlamento Internacional de Escritores (Estrasburgo).

José Saramago foi laureado com o Prêmio Nobel da Literatura 1998 pela The Nobel Foundation.

Principais obras:

· Ano da Morte de Ricardo Reis (O). Lisboa, Caminho, 1982.
· Ano de 1993 (O). Lisboa, Futura, 1975.
· Apontamentos (Os). Lisboa, Seara Nova, 1976.
· Bagagem do Viajante (A). Lisboa, Futura, 1973.
· Cadernos de Lanzarote I. Lisboa, Caminho, 1994.
· Cadernos de Lanzarote II. Lisboa, Caminho, 1995.
· Cadernos de Lanzarote III. Lisboa, Caminho, 1996.
· Cadernos de Lanzarote IV. Lisboa, Caminho, 1997.
· Cadernos de Lanzarote V. Lisboa, Caminho, 1998.
· Conto da Ilha Desconhecida (O). Lisboa, Expo’98/Assírio&Alvim, 1997.
· Deste Mundo e do Outro. Lisboa, Arcádia, 1971.
· Discursos de Estocolmo. Lisboa, Caminho, 1999.
· Ensaio sobre a Cegueira. Lisboa, Caminho, 1995.
· Ensaio sobre a Cegueira. Lisboa, Círculo de Leitores, 1995.
· Evangelho segundo Jesus Cristo (O). Lisboa, Caminho, 1991.
· História do Cerco de Lisboa. Lisboa, Caminho, 1989.
· In nomine Dei. Lisboa, Caminho, 1993.
· Jangada de Pedra (A). Lisboa, Caminho, 1985.
· Levantado do Chão. Lisboa, Caminho, 1980.
· Manual de Pintura e Caligrafia. Lisboa, Moraes Editores, 1976.
· Memorial do Convento. Lisboa, Caminho, 1982.
· Moby Dick em Lisboa. Lisboa, Expo’98, 1996.
· Noite (A). Lisboa, Caminho, 1979.
· Objecto Quase. Lisboa, Moraes Editores, 1978.
· Opiniões que o D. L. Teve (As). Lisboa, Seara Nova/Editorial Futura, 1974.
· Poemas Possíveis (Os). Lisboa, Portugália, 1966.
· Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979
· Provavelmente Alegria. Lisboa, Livros Horizonte, 1970.
· Que farei com este livro? Lisboa, Caminho, 1980.
· Segunda Vida de Francisco de Assis (A). Lisboa, Caminho, 1987.
· Terra do Pecado. Lisboa, Minerva, 1947.
· Todos os Nomes. Lisboa, Caminho, 1997.
· Viagem a Portugal. Lisboa, Círculo de Leitores, 1981.

Prêmios recebidos:

· Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra).

· Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 (Conjunto da obra)

· Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993

· Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995

· Prêmio Nobel da Literatura, 1998

Suas obras são publicadas em diversos países. Seu romance “Memorial do Convento” foi adaptado para a ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título “Blimunda”.

A peça de teatro “In Nomine Dei” foi adaptada para a ópera por Azio Corghi, com o título “Divara”.


O texto acima foi extraído do livro “O Conto da Ilha Desconhecida”, Companhia das Letras – São Paulo, 1998, com aquarelas de Arthur Luiz Piza.

Euclides da Cunha

29/03/2012 – 01:19:14


Euclides da Cunha

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Último texto

No túmulo de um inglês

Euclides da Cunha

És bem feliz,mylord!… na tua tumba fria
Um sono gozas, bom — no seio da soedade
Feliz!… não tens o Sol de tu’Albion sombria
Mas tens o olhar de Deus — O Sol da eternidade!…

És bem feliz mylord a triste ventania
Soluça nos ciprestes os cantos da saudade…
Quem sabe se te traz — em vozes de agonia—
Os risos e as canções de tua mocidade!…

Estás livre do splen… invejo-te deveras…
Do túmulo a sombra espanca as pálidas quimeras.
— Em teu berço de pedra embala-te a soidão…

És bem feliz mylord — assim antes eu fora!…
Tu tens a calma eterna, a solidão sonora
E tu não tens — feliz — não tens — teu coração…

Rio — 2 de Novembro 1883.
_________________________________________________________________

Este túmulo está no cemitério de Catumbi — tornou-se-me saliente saliente pela isolação em [que] se acha — quase em pleno mato — completamente separado dos outros. Antes de ler a inscrição na lousa — onde este soneto fiz — adivinhei ser de um inglês…


Poema inédito e manuscrito do caderno de adolescência Ondas, escrito aos 17 anos.Euclides acrescentou-lhe a uma nota explicativa no final da página. Mantida ortografia original.


Extraído dos “Cadernos de Literatura Brasileira”,
 números 13 e 14, Dezembro de 2002, publicação do Instituto Moreira Salles, pág. 151.

1909/2009 – Lembramos os 100 anos do falecimento do autor.

Euclides da Cunha
tudo sobre o autor e sua obra em ”Biografias“.

Federico Garcia Lorca


Federico Garcia Lorca

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Último texto

As seis cordas

Federico Garcia Lorca


A guitarra
faz soluçar os sonhos.
O soluço das almas
perdidas
foge por sua boca
redonda.
E, assim como a tarântula,
tece uma grande estrela
para caçar suspiros
que bóiam no seu negro
abismo de madeira.

Federico Garcia Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos “Nacionalistas”. Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista – apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República – Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver.” Avesso à violência, o poeta, como homossexual que era, sabia muito bem o quanto era doloroso sentir-se ameaçado e perseguido. Nessa época, suas peças teatrais “A casa de Bernarda Alba“, “Yerma“, “Bodas de sangue“, “Dona Rosita, a solteira” e outras, eram encenadas com sucesso. Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial.

A poesia acima foi extraída de sua “Antologia Poética“, Editora Leitura S. A. – Rio de Janeiro, 1966, pág. 17, tradução e seleção de Afonso Felix de Sousa.

 

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